PR perto de atender últimas exigências sanitárias da OIE

O Paraná está perto de consolidar sua estrutura sanitária, abrindo caminho para que seja reconhecido internacionalmente como área livre de febre aftosa sem vacinação. Os dois últimos requisitos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão em vias de serem cumpridos: a construção do último Posto de Fiscalização de Transporte Agropecuário (PFTA) e a contratação de mais médicos veterinários e técnicos agrícolas, para reforçar esta rede de controle. Com a coesão integral da fronteira, o Estado terá condições sanitárias de antecipar para 2021 a conquista do novo status, o que abriria novos mercados internacionais para a pecuária paranaense.

O último PFTA fica na rodovia BR-116, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Orçada em R$ 1,3 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. A unidade irá se somar a outros 32 postos estaduais e a cinco federais que já estão em operação e que compõem a rede que fiscaliza todos os caminhões que transportam animais e produtos pecuários que queiram entrar no Paraná e/ou cruzar o Estado.

“O sistema sanitário do Paraná já é reconhecido pelo próprio Ministério da Agricultura como o melhor do país. Faltavam esses dois pontos, que estão sendo resolvidos. Com isso, damos mais um passo importante em direção à conquista do reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. Será a confirmação da excelência que temos em sanidade e defesa animal”, ressalta o presidente da FAEP, Ágide Meneguette.

Paralelamente à obra, o governo do Paraná dará andamento ao processo de contratação de mais 30 médicos veterinários e 50 técnicos agrícolas, que vão reforçar a rede de controle sanitário do Paraná. Segundo o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, o governador Carlos Massa Junior já autorizou a abertura de um concurso público, que deve ocorrer em curto prazo. O secretário acrescentou que até os recursos financeiros para as contratações já estão previstos.

“Politicamente, [a contratação] já foi decidida, com a autorização do governador e com previsões orçamentária e financeira”, afirma Ortigara. “São as últimas providências para que, em setembro próximo, o Mapa venha, finalmente, reconhecer o esforço paranaense e declarar o Paraná livre dessa enfermidade para sempre”, completa.

Segurança

O fortalecimento da fronteira sanitária do Paraná tem um motivo prático. Em novembro, o Mapa deve oficializar a autorização para que a vacinação contra a febre aftosa seja suspensa em todo o Estado. Com isso, automaticamente, fica proibida a entrada de animais vacinados no território paranaense – exceto os que serão encaminhados para abate imediato. Ou seja, os 38 PFTAs precisam funcionar como uma barreira, mesmo.

Nesses postos, todos os caminhões que transportem animais ou subprodutos de origem animal devem ser abordados e vistoriados, com a verificação do registro das cargas. Nos postos estaduias, esse controle é feito pela Agência de DeBarreira sanitária Veja onde fica cada um dos 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Agropecuário (PFTAs) estaduais e os cinco postos federais fesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Mas a entidade não está sozinha. As polícias rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE) estão autorizadas a parar veículos que transportem cargas animais em todas as estradas do Paraná, cobrando que os motoristas comprovem que passaram por um dos postos de fiscalização.

“O Paraná está extremamente preparado, com as barreiras 100% fechadas. Não temos nem teremos problemas para garantir que animais vacinados não entrem em nosso Estado”, diz diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins. “Vamos ter também 17 postos que irão funcionar como um corredor, para caminhões que levam animais vacinados para outros Estados, do Rio Grande do Sul para São Paulo, por exemplo”, acrescentou.

Iniciativa privada

Além da atuação de órgãos públicos e do governo estadual, o processo de conquista do reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação conta com a participação decisiva da iniciativa privada. Ao longo das últimas décadas, produtores rurais – por meio de cooperativas, sindicatos e entidades do setor – investiram dinheiro do bolso na infraestrutura da rede de sanidade do Estado. E não foi pouco dinheiro.

De 1997 para cá, o Sistema FAEP/SENAR-PR aportou mais de R$ 40 milhões no desenvolvimento sanitário do Paraná – em ações de treinamento, divulgação de programas e boas práticas, capacitação de técnicos e produtores, viagens técnicas e acompanhamento de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa).

A iniciativa privada também investiu em infraestrutura, destinando recursos a estruturas públicas. No caso mais recente, por exemplo, estava prevista a aplicação de R$ 4,2 milhões para atender aos requisitos apontados pelo Mapa. Três dos postos de fiscalização – incluindo o de Campina Grande do Sul – foram construídos e/ou reformados com recursos provenientes de cooperativas rurais. Outros dois PFTAs tiveram as obras custeadas pela concessionária de rodovias Viapar. Além disso, o setor privado comprou equipamentos para salas de monitoramento e para 56 postos da PRE, bancou câmeras de monitoramento e sistema de rastreamento veicular.

“Sozinho, o governo não conseguiria fazer todos os investimentos. O setor privado fez esse aporte por entender o retorno positivo que isso trará a toda a economia do Estado. É uma ação forte e assertiva que irá beneficiar não só o agronegócio, mas todos os setores. Só com esse trabalho conjunto é que vamos conseguir a antecipação da conquista do status”, aponta o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti.

Esses recursos investidos pelo setor privado nos novos postos de fiscalização e compras de equipamentos foram destinados a partir do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec). Criado em 1995, o fundo é uma sociedade civil sem fins lucrativos, formado por entidades representativas, como FAEP, Ocepar e sindicatos de produtores de diversas cadeias. A partir de convênios, o Fundepec vem garantindo apoio institucional e financeiro para uma série de ações, principalmente relacionados à defesa sanitária. Por tudo isso, o fundo foi peça-chave na consolidação do agronegócio do Paraná. Além disso, o Fundepec dispõe, hoje, de R$ 78 milhões em caixa, para eventuais emergências sanitárias. “O reconhecimento internacional do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação é resultado de uma estruturação sanitária que vem sendo consolidada há décadas. A iniciativa privada sempre teve participação neste processo e o Fundepec é uma peça fundamental, que permite o apoio a ações efetivas que trazem o Estado ao patamar em que, hoje, nos encontramos. Esse salto só foi possível a partir da criação do fundo”, definiu o diretor-executivo do Fundepec, Ronei Volpi.

Mobilização em série

Paralelamente, a cadeia produtiva e o poder público também mantêm uma preparação do ponto de vista técnico, com uma série de ações com vistas a se preparar para a conquista do novo status. Entre 12 e 16 de agosto, por exemplo, o Estado recebeu um exercício conjunto de simulação de contenção de um foco de febre aftosa. Promovido pela Adapar e pelo Mapa, o evento funcionou como um treinamento prático, de como proceder em caso de eventual confirmação da doença em território paranaense.

Além disso, neste ano o governo do Paraná, com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, promoveu o Fórum Regional Paraná Livre de Aftosa, que passou por seis cidades, reunindo pecuaristas, técnicos e agentes públicos e elucidando dúvidas quanto ao reconhecimento internacional. Mais de 4,5 mil pessoas participaram dos debates em todo o Estado.

Ainda, em 28 de agosto, ocorrerá mais uma etapa deste compartilhamento de informações, com uma audiência pública, que será realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba. A expectativa é que mais de 1,2 mil produtores, de diversas regiões do Estado, lotem as galerias da sede do Legislativo paranaense.

FAEP teve papel fundamental no processo

O caminho para que o Paraná se tornasse o Estado com o sistema sanitário mais robusto do país foi longo. A estruturação do sistema de defesa remonta à década de 1970, quando foi criado o Grupo Executivo de Combate à Febre Aftosa (Gecofa). A partir daí, começou a luta de forma sistemática de profilaxia e controle de doença. Nos anos 1980, houve um novo avanço, com a melhoria da qualidade da vacina e na caracterização epidemiológica da doença. A vacinação só passaria a ser obrigatória em 1990.

Paralelamente à fundação e ao posterior fortalecimento contínuo do Fundepec, a FAEP atuou, ainda na década de 1990, para a criação de outras estruturas que foram decisivas à consolidação do sistema de defesa do Paraná. Nesta esteira, como exemplo, estão a instituição do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) e o fomento para a criação de Conselhos Sanitários Agropecuários (CSAs). Essas unidades regionais integram agentes da cadeia produtiva a entes públicos, para o desenvolvimento de políticas públicas sanitárias, de acordo com as demandas específicas da microrregião.

Com essa sólida estruturação, FAEP, Ocepar e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) passaram a ser avalistas do sistema sanitário paranaense. Então, os produtores começaram a recolher uma contribuição (R$ 1 por cabeça) para o Fundepec. Esse dinheiro seria usado para ressarcir criadores que tivessem que sacrificar animais em decorrência de eventuais casos de aftosa. Por um lado, essa medida incisiva prevenia prejuízos aos pecuaristas. Por outro, abria caminho para erradicar a subnotificação.

“Tudo isso nos deu a robustez necessária para chegarmos ao estágio em que nos encontramos e para sermos reconhecidos internacionalmente como área livre de aftosa sem vacinação. Nosso sistema sanitário é modelo”, resume o diretor-executivo do Fundepec, Ronei Volpi.

Próximos passos

Com a oficialização da suspensão da vacinação contra a aftosa, o Paraná passa a aguardar as etapas seguintes do calendário. Em maio de 2020, terá se completado um ano da última aplicação de vacina no Estado. Com isso, o Mapa fará um inquérito sorológico para constatar que não há circulação viral em território paranaense.

Com essa confirmação laboratorial, a expectativa é de que em setembro de 2020 o Mapa possa solicitar à OIE o reconhecimento internacional do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação. Se os parâmetros técnicos permanecerem de acordo com as exigências, a conquista do novo status será, enfim, oficializada em assembleia-geral da OIE, em maio de 2021.

“O reconhecimento internacional irá representar a coroação de um trabalho sério, desenvolvido há décadas, a partir da conjunção de esforços dos produtores e setores privado e público. Será uma conquista histórica para o nosso Estado”, definiu Meneguette.

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Doenças respiratórias em bovinos causam perda de produtividade

Não é novidade que as baixas temperaturas que marcam a chegada do inverno, ainda combinadas ao ar mais seco deste período, formam um ambiente propício para o aumento dos casos de doenças respiratórias. E não são apenas os seres humanos que podem sofrer com esse tipo de enfermidade. Os bovinos, principalmente quando bezerros, também são acometidos por um complexo de doenças que atinge o sistema respiratório, causando prejuízos para o rebanho, principalmente na pecuária de leite. As Doenças Respiratórias dos Bovinos (DRB) causadas por diversos vírus e bactérias podem evoluir rapidamente para enfermidades mais graves, inclusive levando o animal à morte.

Segundo o médico veterinário do Sistema FAEP/SENAR-PR Alexandre Lobo Blanco, o primeiro estágio da DRB é de forma subclínica, ou seja, sem sinais aparentes. O animal, no entanto, pode apresentar febre e não se alimentar como de costume, se isolando do rebanho. “Muitas vezes o produtor nem percebe que o animal está doente porque não tem costume de aferir a temperatura”, observa.

As bezerras são as mais atingidas pelas doenças respiratórias por ainda estarem em período de formação do sistema imunológico. A maior parte das ocorrências se concentra no período entre quatro a seis semanas, sendo o mais alto risco do nascimento até os 21 dias. A principal forma de garantir a imunidade das bezerras recém-nascidas é por meio do colostro, primeiro leite secretado pela vaca após o parto. “Não existe uma única vacina que combata todas os agentes causadores das doenças respiratórias.

Uma alternativa muito comum no manejo é o programa vacinal, em que as vacas são vacinadas para que o colostro produzido seja mais rico em anticorpos específicos”, aponta Blanco. Cuidados com o rebanho Apesar da maior incidência entre bezerras, a DRB também pode atingir animais adultos. As principais causas que favorecem a manifestação de pneumonia e outras doenças respiratórias são a inadequação de instalações, déficit nutricional e estresse. “É importante manter instalações secas e arejadas, com boa circulação de ar. Os produtores têm costume de achar que, por causa do frio, a redução da ventilação do confinamento é a melhor opção. Mas isso pode favorecer a propagação de vírus e bactérias”, ressalta o médico veterinário do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Além do aumento da temperatura retal e perda de peso, um animal acometido por uma DRB pode apresentar secreção nasal, respiração ofegante, tosse e espirros frequentes, diarreia, apatia e letargia.

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Anibelli aborda retirada da vacina contra aftosa na Alep

No dia 4 de junho, o deputado estadual Antônio Anibelli Neto (MDB) levantou a discussão sobre a retirada da vacinação contra febre aftosa no Paraná e a conquista do novo status sanitário do Estado durante sessão plenária da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Em seu pronunciamento, Anibelli, que preside a Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, destacou a importância dos fóruns realizados pelo governo do Estado com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR e outras instituições, que aconteceram durante o mês de maio em seis municípios do Paraná.

“Foram pessoas de diversos municípios, tirando as dúvidas, dizendo como está o Paraná em relação aos demais Estados. Não falo com o sentimento político, mas com o embasamento técnico pautado em auditorias que o Mapa [Ministério da Agricultura] fez”, ressaltou Anibelli.

O deputado apontou a ausência de circulação do vírus da aftosa no Estado e que esse é o momento para a união da sociedade paranaense em prol do tema. “É o sonho de milhares de paranaenses que o Estado seja livre da aftosa sem vacinação”, destacou, no pronunciamento.

Anibelli, ainda, reforçou a importância dos encontros do Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação por trazerem informações técnicas e objetivas para que o novo status se concretize. “Estou extremamente feliz em percorrer o Estado do Paraná, em participar desse fórum e discutir com a sociedade a respeito do momento que vivemos. Tenho a convicção que a estratégia adotada pelo governador através do secretário de Agricultura é a melhor possível e deve avançar com responsabilidade […] independentemente de quem é governo ou oposição, o povo paranaense vai sair ganhando muito com isso”, concluiu.

Fóruns

Durante o mês de maio, os encontros do Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação percorreram os municípios de Paranavaí (14), Cornélio Procópio (15), Guarapuava (21), Pato Branco (22), Cascavel (23) e Curitiba (29). Os eventos contaram com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Sistema Ocepar, além de entidades locais que colaboraram com recursos físicos, como prefeituras, Sociedades Rurais de Cornélio Procópio e Pato Branco, Fiep e Unicentro.

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Comissão Técnica aborda conquista do status de área livre de aftosa sem vacinação

A ser iniciada em maio, a campanha de vacinação contra a febre aftosa deve ser a última no Paraná. O Estado está prestes a conquistar o status de área livre de aftosa sem vacinação, com o fim de um processo de cuidados sanitários iniciado há décadas. As atualizações sobre o tema foram anunciadas durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da FAEP, realizada na sede da Federação, nesta terça-feira, dia 16.

“Na visita a Londrina, o governador [Carlos Massa Junior] deixou claro que o Paraná não vai abandonar o trabalho que está sendo feito. Não é porque tem um pequeno setor que advoga contra que vamos adiar essa questão, que vai implicar em desenvolvimento e reconhecimento internacional para o nosso setor”, disse o assessor da diretoria da FAEP, Ronei Volpi.

Segundo Volpi, após a última etapa de vacinação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deve efetivar a suspensão de campanhas futuras, por meio de uma Instrução Normativa – o que deve ocorrer em setembro. “Com isso, se fecham as fronteiras do Estado. No ano que vem, faz-se a sorologia necessária para o reconhecimento pela OIE [Organização Mundial de Saúde Animal]”, apontou Volpi.

O assessor da diretoria da FAEP também apresentou os resultados das últimas auditorias feitas pelo Mapa no sistema de sanidade do Estado. Conforme já mostrou o Boletim Informativo da FAEP, o Paraná é a unidade da federação mais bem avaliada, superando os parâmetros definidos pelo próprio Ministério. Em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%. Apenas dois pontos demandaram atuações, o que já está em andamento.

“Estamos nessa batalha já algum tempo. É um trabalho de todo o setor produtivo. A gente tem trabalhado para a constatação da nossa sanidade e que temos protocolos em casos de emergência”, acrescentou o presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da FAEP, Rodolpho Botelho.

Outros temas

Além disso, a programação da reunião da Comissão Técnica inclui uma apresentação sobre pastoreio rotatínuo (uma técnica de manejo de pastagens) e uma palestra sobre as perspectivas para o Paraná se tornar um exportador de gado vivo (principalmente a países árabes e sul-africanos). Além disso, o técnico da FAEP Guilherme Souza Dias vai falar sobre o Programa Pecuária Moderna.

Paraná está pronto para receber status de área livre de febre aftosa sem vacinação

O Paraná está pronto! Desde que definiu como objetivo a obtenção do status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, os setores público e privado têm se empenhado para que o Estado tenha seu serviço de defesa agropecuária reconhecido internacionalmente, e ocupe o lugar que lhe cabe no mercado mundial de proteína animal.

No ano passado, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou auditorias necessárias para que seja encaminhado o pedido do Paraná à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Os técnicos do Mapa estiveram aqui em janeiro e agosto de 2018 com a missão de avaliar programas, estrutura, capacidades técnica, financeira e administrativa do serviço de vigilância da sanidade agropecuária paranaense.

Estas auditorias verificaram se o Estado tem, de fato, as condições necessárias para pleitear o status de área livre de febre aftosa sem vacinação e depois mantê-lo. Afinal, uma vez solicitada a retirada da vacina, após período de vigilância, não poderá mais haver a presença de anticorpos que indiquem a presença do vírus ou da vacina por aqui.

O resultado das duas auditorias foi excelente. O serviço de defesa agropecuária do Paraná foi o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que o do único Estado brasileiro que já goza do status livre de febre aftosa sem vacinação, Santa Catarina. Para efeito de comparação, o Paraná superou a pontuação da auditoria do Mapa em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%. Apenas 16% dos itens analisados ficaram abaixo da pontuação, o que gerou um plano de ação com nove itens, dos quais sete estão em implantação pela Agência de Defesa Agropecuária do

Reconhecimento

Paraná (Adapar) e os outros dois em processo de finalização (contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul – em fase final de aprovação pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A boa avaliação do sistema veterinário paranaense não é fortuita, tampouco é resultado apenas das ações voltadas ao aprimoramento da sanidade no Estado realizadas no último governo. “Há mais de 40 anos que o Paraná busca o fim da vacinação contra febre aftosa, trata-se de um processo longo, que envolveu o compromisso dos setores público e privado para que todo o Estado saísse ganhando. A certificação pela OIE é o coroamento de todo este esforço”, observa o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette.

 

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FAEP reforça canal de diálogo junto a órgãos do governo estadual

O início da gestão do novo governo estadual, comandado pelo governador Carlos Massa Junior, impôs uma agenda proativa por parte da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP). Nesta semana, a diretoria da entidade recebeu o secretário de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, e a nova diretoria da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A reunião com o primeiro ocorreu no dia 23 de janeiro e o segundo encontro no dia anterior, dia 22, ambas na sede da FAEP.

O objetivo dos encontros foi alinhar as agendas prioritárias ao setor produtivo agropecuário do Estado. Entre os assuntos estiveram aspectos relacionados à defesa agropecuária, as boas práticas de conservação de solos, programas de desenvolvimento do setor, novas pesquisas para subsidiar os produtores rurais, entre outros temas.

“Enfatizo que nossa casa está de portas abertas. Nossas reivindicações são pelo bem do Estado e de todos. Quando mostramos algo que pode ser feito para melhorar a competitividade do nosso setor, os produtores rurais e todos se beneficiam por termos mais dinheiro circulando e diversificação de oportunidades na economia”, disse o presidente da FAEP, Ágide Meneguette.

Na reunião, Ortigara ressaltou que uns dos principais trabalho que continua em desenvolvimento ao longo dos próximos anos é a busca pelo reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação. “Sanidade é uma prioridade para o Estado”, destacou o secretário de Agricultura.

Além da questão da sanidade no Paraná, outros pontos debatidos na reunião foram a necessidade de reforçar as técnicas de conservação de solo e água junto aos produtores rurais e a rede estadual de pesquisas voltadas para o desenvolvimento do campo.

Na reunião, além do presidente da FAEP e do secretário de Agricultura, participaram o presidente do Conseleite, Ronei Volpi, e o superintendente adjunto do SENAR-PR, Carlos Augusto Cavalcanti Albuquerque.

Adapar

A nova diretoria da Adapar assumiu no dia 9 de janeiro, empossada pelo secretário de Agricultura, Norberto Ortigara. Otamir Cesar Marting, que assumiu como diretor-presidente no lugar de Inácio Afonso Kroetz, enfatizou no encontro que pretende dar continuidade ao trabalho dos últimos anos de construção de um sistema de defesa agropecuária sólido.

 

 

“Reforçamos aqui o canal de diálogo aberto para trabalharmos juntos em prol do desenvolvimento agrícola e do Paraná”, comentou Otamir.

Da nova diretoria da Adapar, estiveram presente na reunião, Otamir Cesar Martins, diretor-presidente, Horácio Slongo, chefe de gabinete, Manoel Luiz de Azevedo, diretor de Defesa Agropecuária, e Adalberto Luis Valiati, diretor administrativo-financeiro.

Oeste aposta em conselhos para aproximar PR do status de livre de aftosa sem vacinação

O Oeste do Paraná deu mais um passo importante na sedimentação do caminho que leva à conquista do status de Estado livre de aftosa sem vacinação. Em novembro do ano passado, a região criou o Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA) do Oeste, que vai exercer o papel de integrar os agentes da cadeia produtiva e o poder público, e desenvolver ações e políticas de sanidade. O objetivo inicial da organização regional é estimular a criação de conselhos municipais em todos os municípios do Oeste.

A criação do CSA do Oeste faz parte do programa Oeste em Desenvolvimento – do qual a FAEP é integrante. Hoje, menos da metade dos 54 municípios do Oeste têm CSAs instituídos. A intenção do programa é articular uma rede de conselhos municipais, que direcionem suas demandas ao CSA do Oeste, que é quem vai intermediar as soluções ou respostas diretamente com os entes públicos ou órgãos competentes.

“A ideia é estimular a criação de conselhos em cada um dos municípios ou, pelo menos, em cada microrregião, de modo que todas as cidades estejam representadas por um CSA local”, disse o presidente do CSA do Oeste e diretor-executivo do grupo Frimesa, Elias Zydek.

Desta forma, o CSA deve funcionar como um elo entre o setor produtivo e o poder público, de modo que as demandas e políticas para cada microrregião sejam discutidas diretamente com as entidades ou secretarias responsáveis.

“Um dos principais critérios para a conquista do status de área livre de aftosa sem vacinação é que haja uma verdadeira parceria entre o setor público e o privado. E o CSA é o local onde o público e o privado se unem em uma verdadeira organização em defesa das demandas do setor agropecuário”, apontou o consultor da FAEP, Antonio Poloni. “É como se o conselho regional fosse uma espécie de pai dos conselhos municipais, que vai estimular os bons resultados e ajudar a resolver as demandas”, acrescentou Elias Zydek.

Conquista do status

A consolidação desta rede deve ter papel decisivo na conquista e posterior manutenção do status de Estado livre de aftosa sem vacinação, já que a criação e a atuação dos CSAs é uma das exigências do Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (Pnefa). Isso porque a atuação dos conselhos amplia a segurança sanitária das regiões onde esses organismos estão atuantes.

“Essa articulação vai trazer uma segurança maior tanto para o produtor quanto para o mercado. Vai haver um controle e uma troca de informações muito maiores. Isso, sem dúvida, ajuda na conquista do status de Estado livre de aftosa sem vacinação”, destacou o vice-presidente do CSA do Oeste, Anderson Bento Maria, que é prefeito de Maripá e presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop).

Modelo e demandas

Para estimular a criação de conselhos nos municípios, o CSA do Oeste encaminhou aos prefeitos a minuta da lei municipal que instituiu o conselho em Matelândia. O CSA e a legislação estabelecida na cidade são consideradas referência, para a articulação da rede. Em Toledo e em Cascavel, por exemplo, as estruturas também estão funcionando dentro dos moldes considerados ideias pelo conselho regional.

O CSA do Oeste já definiu algumas pautas iniciais. Entre elas, está demandas relacionadas à criação de condições para que os produtores rurais possam dar destinação aos animais mortos, de acordo com as normativas instituídas no ano passado. “A criação dessas condições está em consulta pública há mais de um ano. Precisamos de soluções e acelerar este processo”, disse Zydek.

Na região, o setor privado já dá mostras de ter abraçado a iniciativa. A Frimesa, por exemplo, instituiu uma política em que deve exigir como pré-requisito que o produtor integrado esteja em um município coberto por um CSA municipal. “Tudo que tivemos condições de vincular aos conselhos, vamos vincular. Isso vai incentivar que todos trabalhem para o funcionamento dos conselhos”, disse Zydek.

Uma luta de décadas

Há mais de três décadas – desde sua fundação – a FAEP vem atuando de forma contínua e intensa para que o Paraná seja reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação. Após solicitação da FAEP e outras entidades do agronegócio e da articulação do governo do Paraná, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aceitou antecipar a retirada da vacinação do Estado. A última campanha ocorrerá em maio deste ano.

Além disso, em vistoria realizada no fim do ano passado, o Ministério avaliou o serviço sanitário do Estado como um dos melhores do país, abrindo caminho para a conquista do status em 2020. Com isso, o Paraná poderia obter o reconhecimento junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) já no ano seguinte, em 2021.

O novo status serviria como uma espécie de cartão de visitas, em que fica consignado em âmbito mundial que o Paraná tem um sistema de sanidade eficiente e confiável – o que pode abrir mercado em outros países.

Curitiba sediará evento nacional de sanidade vegetal em 2019

Com objetivo de discutir as necessidades e demandas do setor agrícola brasileiro, em agosto de 2019, a capital do Paraná será sede do V Congresso Brasileiro de Fitossanidade (Conbraf), com o tema “Desafios e Avanços da Fitossanidade”. A iniciativa conta com o apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, que também colabora com a organização do evento.

A programação inclui palestras nacionais e internacionais, como a do professor João Martim, de Portugal, e Vasconcelos Fernandes, do Instituto Politécnico de Beja (IPBEJA), também do país europeu. As apresentações irão tratar da evolução das políticas agrícolas na União Europeia.

A previsão de público para esta edição é de 400 pessoas, entre professores, estudantes, universitários, pesquisadores, representantes de agroindústrias e cooperativas envolvidas com fitossanidade. A comissão organizadora é composta por professores, técnicos e alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus de Jaboticabal, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e Sistema FAEP/SENAR-PR.

Segundo a vice-presidente do V Conbraf, Maria Aparecida Cassilha Zawadneak, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o tema é abrangente e estratégico para o bom desenvolvimento da agricultura, pois envolve pragas, doenças e plantas daninhas. “Vamos abordar no evento tudo que afeta uma boa produção, como ter qualidade, boa matéria-prima, rastreabilidade, entre outros temas”, explica.

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Embargo russo impõe novos destinos à carne brasileira

Novembro de 2017 foi um mês difícil de esquecer na suinocultura nacional. Na ocasião, a Rússia, principal compradora de carne suína brasileira, anunciou um embargo ao produto. Naquele ano, os russos foram responsáveis pela compra de quase 40% de toda carne suína brasileira colocada no mercado internacional. Isso já seria ruim por si só, mas veio junto com uma série de percalços nos cenários interno e externo, como a greve dos caminhoneiros, instabilidade do dólar, tabelamento do frete e aumento global na produção da proteína. O resultado tem sido implacável com os produtores: um mercado interno saturado, com preços baixos, que obriga boa parte do setor a trabalhar no vermelho.

Com a saída da Rússia, a queda nas exportações é praticamente certa. Matheus Andrade, consultor de comércio exterior da Barral MJorge, calcula que o volume vendido ao exterior deve fechar em torno de 620 mil toneladas em 2018, contra quase 700 mil toneladas no ano passado. Neste cenário pouco favorável, o especialista, no entanto, sinaliza uma boa notícia. Uma movimentação vem ocorrendo para redirecionar o suíno brasileiro a outros países e amenizar os problemas (veja o gráfico). “Esse é um momento para rever as oportunidades que os grandes compradores nos abrem. Nós temos o produto, mas precisamos trabalhar para derrubar eventuais barreiras que existem”, explica.

O especialista cita países como México, Coreia do Sul e outros do continente asiático como alternativa para o crescimento da venda da proteína (ver gráfico dos maiores exportadores). “É fundamental começar a exportar para o México. Ainda, a China é um mercado que deve absorver mais carne suína nos próximos anos. O olhar do mundo como um todo está se deslocando para Ásia. Países até então pouco incluídos no radar, como Tailândia, Filipinas e o próprio Vietnã têm possibilidade de crescer em participação nos próximos anos. Enquanto isso, não podemos perder de vista mercados como Chile e Argentina, por causa da nossa posição geográfica”, aponta.

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Após pedido da FAEP, exame para mormo passa a valer só em setembro

A partir do dia 1º de setembro deste ano, o ingresso de equídeos (cavalos, mulas, jumentos, etc.) no Paraná só será permitido mediante apresentação de laudo laboratorial negativo para o mormo, doença infectocontagiosa que pode acometer até seres humanos. A exigência foi publicada na Portaria nº 183, publicada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

A medida também prevê, a partir desta data, a exigência de vacinação contra influenza equina, devidamente comprovada por atestado e/ou carteira de vacinação. Os documentos são necessários tanto para participar de competições e exposições agropecuárias quanto para outras finalidades. No caso das exposições/competições, o laudo para o mormo deve ter sido expedido por laboratório cadastrado junto ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e contar com prazo de validade suficiente para cobrir toda duração do evento.

De acordo com a médica veterinária do Departamento Técnico Econômico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR, Nicolle Wilsek, antes da portaria a vacina contra influenza não era obrigatória. “Apenas para emissão de GTA [Guia de Trânsito Animal] era necessário a emissão de atestado sanitário para influenza e o laudo negativo para anemia infecciosa equina”, explica.

Ainda segundo a técnica, essa obrigatoriedade foi estabelecida pelo Mapa em março de 2018, para que os serviços sanitários estaduais adequassem suas próprias legislações. A partir de então, a Adapar estabeleceu o prazo de 1º de julho para a exigência entrar em vigor no Paraná.

Veja também como o veterinário deve preencher a carteirinha de vacinação

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