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Julgamento do STF pode afetar Lula e outros 429 acusados na Lava Jato, diz MPF

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba diz, em nota divulgada nesta quinta-feira (17), que 430 acusados na operação podem ser beneficiados com o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a prisão depois da condenação em segunda instância.

Os ministros decidem, na tarde de hoje, se os réus devem cumprir pena na prisão – como funciona atualmente – ou se podem aguardar em liberdade enquanto recorrem aos tribunais superiores.

O cálculo do MPF (Ministério Público Federal) inclui alvos que estão soltos, muitos nem mesmo foram condenados, ou condenados que cumprem a pena nos regimes fechado, harmonizado (tornozeleira), semiaberto e aberto.

307 são alvos que ainda esperam o julgamento em primeira instância. Ou seja, vêem a possibilidade de cumprir pena após um longo período de trânsito do processo.

Outras 85 pessoas, já condenadas na primeira instância, também serão amparadas na espera da análise dos seus recursos.

Mas os principais nomes estão entre os 38 réus da Lava Jato que já foram condenados na segunda instância, que poderão ser favorecidos imediatamente. É o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da SilvaEduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, José Dirceu, ex-ministro, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, além de João Vaccari Neto e Delúbio Soares, ex-tesoureiros do PT (Partido dos Trabalhadores), estão entre os presos – seja em regime fechado, semiaberto ou com tornozeleira eletrônica – que vivem a expectativa de liberdade.

Do núcleo político ainda aparecem os ex-senadores Gim Argello e João Cláudio Genu, além do ex-deputado André Vargas. Por fim, outros nomes em destaque são dos ex-diretores da Petrobras Renato Duque e Jorge Zelada- confira a lista completa abaixo.

STF CAUSA ‘PREOCUPAÇÃO’ NA LAVA JATO

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Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. (Geraldo Bubniak/AGB)

A situação delicada que vive a operação gera muita tensão. Em nota divulgada durante essa madrugada, a força-tarefa da Lava Jato expressou preocupação, o que reafirma o dia de alerta da operação. Contudo, os procuradores ainda afirmaram ter “confiança” que o STF vai prezar pela estabilidade e segurança jurídica.

A ideia é que a reversão da ideia vai gerar demora e prescrição nos julgamentos, além de insegurança jurídica, o que seria uma grande derrota na luta contra a corrupção no país.

“Mais de 300 acusados, como Romero Jucá e Edson Lobão, que cumpririam suas penas daqui a dois ou três anos se forem condenados, passarão a cumpri-las depois de dez ou quinze anos. Se é que isso acontecer, porque é muito comum que esses casos prescrevam pelo decurso do tempo e o resultado seja a impunidade. Pode ser o retorno de um tempo de que não temos saudades”, declarou o procurador da República e coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol.

Já Marcelo Ribeiro, membro da força-tarefa, também expressou preocupação. “A demora e a impunidade no julgamento de réus abastados são incompatíveis com uma justiça republicana, que deve absolver inocentes e punir culpados dentro de um tempo razoável. Além disso, já houve quatro julgamentos sobre o assunto desde 2009, sendo o último ainda em 2016, o que gera visível instabilidade e insegurança jurídica”, completa.

A NOTA DA LAVA JATO E A LISTA DOS RÉUS 

Confira a nota divulgada pelo MPF:

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) expressa preocupação com a possibilidade de reversão do entendimento sobre a possibilidade da prisão depois de condenação em segunda instância.

A reversão estaria em flagrante dissonância com o sentimento de repúdio à impunidade e com o combate à corrupção, uma das prioridades do país.

A posição institucional do Ministério Público Federal é favorável à execução provisória da pena após o julgamento de segunda instância. A Procuradoria-Geral da República e a Câmara Criminal do Ministério Público Federal (2CCR/MPF) já se manifestaram dessa forma ao longo dos anos.

Em nota de 2018, os membros da Câmara Criminal do Ministério Público Federal (2CCR/MPF) afirmam que a mudança de entendimento contribui para a insegurança jurídica e para o aumento da impunidade, e acrescentam: “além do mais, pode significar a soltura de inúmeras pessoas com condenações por crimes gravíssimos como homicídio, latrocínio, estupro, pornografia infantil, participação em milícias, organizações e facções criminosas, corrupção, desvio de recursos públicos e fraudes a licitação, que prejudicam a real implementação de políticas públicas como as de saúde, educação e segurança pública.”

Diante de tudo isso, a força-tarefa Lava Jato reafirma a confiança de que o Supremo Tribunal Federal, zelando pela efetividade e pela credibilidade da Justiça, primará pela estabilidade e manterá a segurança jurídica, contribuindo simultaneamente para um ambiente desfavorável à impunidade e à corrupção sistêmica revelada nos últimos anos.

Veja a lista, divulgada pelo MPF, com os 38 réus da Lava Jato que poderão se beneficiar imediatamente com a decisão do STF nesta quinta:

Luiz Inácio Lula da Silva
Eduardo Cosentino da Cunha
José Dirceu de Oliveira e Silva
Sergio de Oliveira Cabral Santos Filho
João Vaccari Neto
Delúbio Soares de Castro
Roberto Gonçalves
Ivan Vernon Gomes Torres Junior
Luiz Eduardo de Oliveira e Silva
Julio Cesar dos Santos
Pedro Augusto Corte Xavier
Roberto Marques
João Cláudio de Carvalho Genu
Leon Denis Vargas Ilario
Gerson de Mello Almada
Dario Teixeira Alves Junior
Sonia Mariza Branco
Enivaldo Quadrado
Natalino Bertin
Ronan Maria Pinto
Raul Henrique Srour
Luiz Carlos Casante
Flavio Henrique de Oliveira Macedo
João Augusto Rezende Henriques
Jorge Luiz Zelada
Salim Taufic Schahin
Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho
Sérgio Cunha Mendes
Alberto Elísio Vilaça Gomes
Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura
João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado
Márcio de Andrade Bonilho
André Luiz Vargas Ilário
Ricardo Hoffmann
José Carlos Costa Marques Bumlai
Renato de Souza Duque
Jorge Afonso Argello
Eduardo Aparecido de Meira

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Sérgio Cabral é denunciado pelo MPF pela 30ª vez

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou sua 30ª denúncia contra o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. A denúncia desta vez é por uma suposta prestação de informações falsas às autoridades fazendárias nas declarações do Imposto de Renda dos anos calendário 2013, 2014 e 2015.

Segundo os procuradores, a sonegação fiscal chega a R$ 10,4 milhões e caracteriza crime contra a ordem tributária.

Cabral já foi condenado 11 vezes em processos movidos pela Força Tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, e suas condenações superam os 200 anos. Nas decisões, o governador foi apontado como chefe de uma organização criminosa que obtinha ganhos ilícitos em contratos de diversos setores da administração estadual.

Em nota, a defesa de Sérgio Cabral diz que o ex-governador já respondeu por esses mesmos fatos “em inúmeras ações penais ajuizadas”.

“A multiplicidade de denúncias viola princípios básicos do processo penal e a Constituição, além de comprometer a exata dimensão do ocorrido. Por fim, reitera estar à disposição das autoridades”, diz a nota.

Justiça condena Sérgio Cabral novamente; penas somam 234 anos

O ex-governador Sérgio Cabral foi condenado a mais 18 anos de prisão, por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro com um grupo de concessionárias de veículos do Rio de Janeiro.

A sentença, proferida na terça-feira (27) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, foi divulgada nesta quarta-feira (28). O processo é um desdobramento da Operação Lava Jato no estado e representa a 11ª condenação de Cabral, cujas penas somam 234 anos.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Cabral e mais seis pessoas praticaram crimes de lavagem de dinheiro por intermédio do Grupo Dirija. O esquema envolveu cerca de R$ 8 milhões, dinheiro proveniente de corrupção na máquina do estado. Na sentença, Bretas considerou um fator agravante a posição política de poder que Cabral detinha à época como governador do Rio.

“Nada mais repugnante do que a ambição desmedida de um agente público que, tendo a responsabilidade de gerir o atendimento das necessidades básicas de milhões de cidadãos do estado do Rio de Janeiro, opta por exigir vantagens ilícitas a empresas. As circunstâncias em que se deram as práticas corruptas, além das altas cifras envolvidas, são perturbadoras e revelam desprezo pelas instituições públicas. Além disso, a atividade criminosa do condenado mostrou-se apta à criação de um ambiente propício à propagação de práticas corruptas no seio da administração pública, pelo mau exemplo vindo da maior autoridade no âmbito do estado”, aifima o juiz na decisão.

Em outro trecho da sentença, Bretas saliena que os crimes cometidos ajudaram a enfraquecer a economia do estado, levando a uma crise financeira sem precedentes no Rio de Janeiro.

“Terríveis são as consequências dos crimes de corrupção pelos quais Sérgio Cabral é condenado, pois, além do prejuízo monetário causado aos cofres do eEstado do Rio de Janeiro e da União, a utilização indevida dos valores obtidos de repasses e financiamentos federais nos contratos em prol de obras no Estado do Rio de Janeiro, que foram realizadas de modo incompleto, frustrou os interesses da sociedade. Ainda que não se possa afirmar que o comportamento deste condenado seja o responsável pela excepcional crise econômica vivenciada por este estado, é indubitável que os episódios de corrupção tratados nestes autos diminuíram significativamente a legitimidade das autoridades estaduais na busca para a solução da crise atual”, diz Bretas.

Também foram condenados Ary Ferreira da Costa Filho, a 12 anos e 2 meses, em regime fechado; Sérgio Castro de Oliveira, conhecido como Serjão, a 6 anos e 8 meses, em regime semiaberto; Gladys Castro Oliveira, a 8 anos e 10 meses, em regime fechado; Sonia Ferreira Batista, a 11 anos e 1 mês, em regime fechado, Jayme Luiz Martins, a 12 anos e 2 meses, em regime fechado; e João do Carmo Martins, a 12 anos e 2 meses, em regime fechado.

Os dois últimos, porém, por terem sido réus colaboradores, tiveram a pena diminuída para 4 anos de reclusão em regime domiciliar. A pena foi substituída pela prestação de serviços comunitários e pagamento de R$ 674 mil de multa, cada um, além de indenização pelos danos causados de R$ 5,578 milhões, cada um.

DEFESA

Procurada, a defesa de Cabral manifestou-se, por meio de nota, dizendo que vai recorrer da sentença, por discordar da participação do ex-governador nesse caso e da pena aplicada. “De qualquer forma, a postura de auxiliar as autoridades será mantida”, afirma o advogado Márcio Delambert.

Cabral admite pagamento de US$ 2 milhões para Rio sediar Olimpíadas

O ex-governador Sérgio Cabral admitiu que pagou US$ 2 milhões para que o Rio de Janeiro fosse sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O dinheiro foi pago ao então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAFF, na sigla em inglês), Lamine Diack.

Embora já houvesse suspeitas sobre a compra de votos pelo Brasil, a primeira vez que Cabral admitiu oficialmente o pagamento de propina foi durante audiência realizada nesta quinta-feira (4), na 7ª Vara Federal Criminal.

Logo na abertura do interrogatório, Cabral foi perguntado pelo juiz Marcelo Bretas se ele tinha conhecimento dessas negociações “espúrias”. O ex-governador passou a contextualizar a campanha do país para sediar as Olimpíadas e contou que um dia foi procurado pelo então presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e o diretor de operações do COB, Leonardo Griner, que disseram ser necessário pagar uma quantia para garantir os votos sob influência de Diack.

Segundo Cabral, eles disseram que seria necessário US$ 1,5 milhão pagos a Diack, que dizia ter oito votos entre os membros da IFAA, incluindo o do ucraniano Sergei Bubka, ex-recordista mundial do salto com vara, e do nadador russo Alexander Popov.

Para conseguir o dinheiro, Cabral relatou que recorreu ao empresário do setor de serviços, Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur, atualmente foragido, que tinha inúmeros contratos com o estado do Rio. Arthur teria feito o repasse da primeira parte da propina para Diack, depois complementado com o aporte de US$ 500 mil.

De acordo com o ex-governador, o dinheiro pago a Diack pelos votos era de sua propriedade e que o motivo foi deixar legados ao estado do Rio, o que poderia, futuramente, ainda que de forma indireta, beneficiá-lo em sua carreira política.

Cabral disse que o ex-deputado estadual Carlos Roberto Osório, que era funcionário do COB, sabia de toda a transação. Disse também que o ex-prefeito Eduardo Paes também ficou sabendo do pagamento de propina, embora não tenha participado diretamente da ação ilegal. O ex-governador revelou  ainda que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou sabendo, de forma indireta, logo após a vitória do Brasil na votação, mas ressaltou que ele não se envolveu na negociação.

Defesa

O advogado de Nuzman, João Francisco Neto, disse que seu cliente é inocente e que não participou das supostas operações de pagamento de propina envolvendo a compra de votos.

O advogado Marcos Vidigal Crissiuma, que defende Griner, se manifestou em nota: “Ficou claro que Sérgio Cabral falta com a verdade e não apresenta qualquer prova de seus relatos, mantendo-se íntegra a prova produzida na instrução criminal que isenta Leonardo Gryner de qualquer responsabilidade. Se houve compra de votos, ele não participou”.

Sérgio Cabral vai ficar isolado em cela por 30 dias

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, vai ficar isolado durante 30 dias na cela onde cumpre pena no presídio Bangu 8, no Complexo de Gericinó, zona oeste do Rio. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), “durante esse período, [Cabral] vai tomar banho de sol afastado dos outros presos. A punição é consequência do julgamento final de um processo administrativo disciplinar, iniciado em 2017″.

No dia 31 de outubro daquele ano, o Ministério Público (MP) estadual abriu inquérito para investigar a instalação de equipamentos de áudio e vídeo (home theater), na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, zona norte da cidade. O equipamento é composto de televisão de tela grande, de 65 polegadas, caixas de som e aparelho de DVD e funciona como uma espécie de sala de cinema.

Em nota, o Ministério Público informou à época, “que há procedimento em curso na 24ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal para apurar possível prática de crimes contra a administração pública, falsidade ideológica ou material”.

O equipamento seria uma doação da Igreja Batista do Méier, segundo a Seap. No entanto, a instituição esclareceu em nota que não autorizou doação de aparelho eletrônico a qualquer complexo penitenciário. “A Igreja tem por hábito rejeitar quaisquer ofertas, doações e legados, quando estes tenham origem, natureza ou finalidade que colidam com os princípios éticos e cristãos exarados na Bíblia Sagrada”, destacou a igreja em nota.

Cabral está preso desde novembro de 2016 e as penas somadas de várias condenações chegam a 197 anos e 11 meses de reclusão. A Agência Brasil tentou, mas não conseguiu até o fechamento da matéria, contato com a defesa do ex-governador.

Sérgio Cabral tem sigilo fiscal quebrado por decisão da Justiça

A 5ª Vara de Fazenda Pública do Rio determinou a quebra do sigilo fiscal do ex-governador Sérgio Cabral, do empresário Walter Faria (sócio da Cervejaria Petrópolis e da importadora Barley Malting), dos ex-secretários Júlio Bueno e Régis Fichtner e do agente fazendário Ary Filho. Eles são acusados pelo Ministério Público estadual de direcionar decretos para conceder benefícios fiscais à Barley em troca de R$ 54 milhões em propinas.

A juíza Cristiana Aparecida de Souza Santos determinou a expedição de ofício à Receita Federal para que forneça todas as declarações de renda dos réus. E também oficiou à Secretaria de Fazenda do Estado para que encaminhe ao juízo as notas fiscais eletrônicas, as guias de Informação e Apuração do ICMS, livros fiscais, Escrituração Fiscal Digital, e os arquivos do convênio firmado desde maio de 2009 até os dias de hoje.

A magistrada, no entanto, negou o pedido do Ministério Público para suspensão dos efeitos dos decretos que supostamente teriam sido editados para beneficiar a importadora. A análise da matéria, segundo a decisão, é competência da 11ª Vara de Fazenda Pública, voltada para as questões tributárias estaduais. A Justiça também negou o bloqueio de bens dos acusados. A juíza negou ainda o pedido de quebra do sigilo fiscal relacionado ao Escritório de Advocacia Andrade & Fichtner, pela empresa não não ser ré na ação.

“Deve ser ressaltado que, embora, a descrição dos atos, a ordem cronológica da edição dos decretos e os atos administrativos praticados na inicial possam dar conta da possível prática de atos de improbidade administrativa pelos requeridos com o direcionamento de atos normativos favoráveis, não existem provas suficientes nos autos de que os decretos tenham sido direcionados unicamente em favor da primeira ré”, escreveu a juíza Cristiana Aparecida Santos na decisão.

A magistrada escreveu ainda na sentença que “entende este Juízo que, não estão presentes, ao menos neste momento processual, os requisitos necessários para o deferimento da medida de bloqueio dos bens dos requeridos, certo também, que alguns deles provavelmente já possuem seus bens bloqueados tantos pelos processos que tramitam neste tribunal, quanto pelos processos iniciados pelo MPF (Ministério Público Federal)”.

A Agência Brasil não conseguiu contato com os envolvidos na decisão da Justiça.

Cabral diz ser dono de mais 2 imóveis e corrobora suspeita de ocultação de patrimônio

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) afirmou nesta quinta-feira (23) ser dono de dois imóveis em áreas nobres da capital. Ele disse que as propriedades estão em nome do empresário George Sadala.

A declaração corrobora as desconfianças de membros da Operação Lava Jato de que o emedebista ainda mantém oculto parte do patrimônio acumulado com propina. É a primeira vez que há referência a esses imóveis como parte de seus bens.

Cabral prestou depoimento em ação penal em que é acusado de receber R$ 1,3 milhão de propina de Sadala, sócio na empresa responsável pelo programa Poupatempo no Rio de Janeiro.

O emedebista declarou que recebeu, na verdade, R$ 1,5 milhão. E disse que dividia com o empresário a propriedade de um terreno em Ipanema (zona sul) e um prédio comercial adquirido junto à Brookfield na Barra da Tijuca (zona oeste), todos em nome de Sadala.

“São propriedades minhas, frutos de outros negócios que posso esclarecer em outras circunstâncias”, afirmou o emedebista. Ele tenta firmar um acordo de delação.

Segundo o emedebista, Sadala chegou a obter o licenciamento para erguer um prédio “de três ou quatro andares” no terreno em Ipanema, mas o empreendimento não se concretizou.

“Ele sempre me mantinha informado”, disse o ex-governador.

A defesa de Sadala o questionou durante o interrogatório se Cabral tinha como provar a sociedade. O emedebista comparou Sadala aos doleiros Renato e Marcelo Chebar, que mantinham em seus nomes US$ 100 milhões do ex-governador no exterior.

“Era assim como com os irmãos Chebar, na confiança”, disse Cabral.

Cabral é réu em 30 ações penais decorrentes da Lava Jato e suas penas já superam 198 anos. Ele é acusado de cobrar 5% de propina sobre os grandes contratos do estado.

Após negar por mais de dois anos a acusação, o ex-governador decidiu confessar os crimes. Investigadores, contudo, acreditam que ele mantém um patrimônio oculto.

A Lava Jato já arrecadou mais de US$ 100 milhões atribuídos a Cabral, encontrados nas contas em nome dos doleiros Renato e Marcelo Chebar.

No ano passado, o ex-governador e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo abriram mão de seus bens à Justiça. Naquele momento, o objetivo era obter a redução de pena -os recursos, dessa forma, poderiam ser transferidos de imediato ao estado. A medida, contudo, foi feita sem confissão até aquele momento.

Foram entregues três imóveis, joias, carros, além de valores depositados em contas bloqueadas -a maior parte em nome de Adriana e seu escritório de advocacia.

Cabral deseja firmar acordo de delação premiada, mas as suspeitas de ocultação de um patrimônio ainda inestimável é um dos principais pontos de resistência entre procuradores.

O ex-governador afirmou que foi apresentado a Sadala por “um político nacional de outro estado, atualmente com imunidade parlamentar”.

Ele disse que o modelo do Poupatempo no Rio de Janeiro foi o aplicado em São Paulo, contando inclusive com os mesmos empresários responsáveis.

O emedebista sugeriu que havia pagamento de propina em São Paulo, embora não mencionasse de forma direta nenhum beneficiário.
Sadala ainda será ouvido nesta quinta em interrogatório.

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Fui achacado por políticos e fiz tratos com ministros do STJ, diz Cabral

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) disse que foi “achacado” por deputados federais e senadores, além de feito “tratos” com ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e TCU (Tribunal de Contas da União).

Sem mencionar nomes, o ex-governador citou os casos ao afirmar que a propina que recebia deixou de ser enviada ao exterior em 2012 para ser distribuída no país.

Foi naquele que Cabral começou a sofrer uma dura crise política após a divulgação das fotos do episódio conhecido como “farra dos guardanapos”, em que confraterniza com empresários e ex-secretários em Paris.

“O dinheiro a partir de 2012 deixa de ir para o exterior e passa a ser usado aqui. Fui achacado por parlamentares federais, tive que fazer tratos com ministros do STJ e TCU”, afirmou o emedebista, que não mencionou o caso da “farra”.

O emedebista afirmou também que teve “que atender presidente da República para beneficiar certas pessoas”. Ele não especificou a qual presidente se referia.
Ele mencionou no depoimento o ministro Marco Aurélio Belizze, do STJ. Afirmou que atuou para garantir sua nomeação por pressão -“e até ameaça”- do ex-secretário Régis Fichtner, cunhado do magistrado.

Esta indicação contrariou a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, que havia indicado seu sócio Rodrigo Cândido de Oliveira.
“Liguei para a presidente Dilma [Rousseff], e ela até disse que estava com o papel na mesa dela para assinar. Tive que fazer esse papelão de barrar o sócio da minha esposa para atender o Régis”, disse Cabral.

Fichtner já foi preso duas vezes e responde a duas ações penais sob acusação de receber uma mesada de R$ 150 mil do esquema de Cabral. O ex-governador, em seus depoimentos, tem afirmado que o ex-secretário tinha participação central no esquema.

Cabral é interrogado na ação penal referente à Operação Ponto Final, que trata de denúncia de pagamento de propina paga por empresários de ônibus.

Ele disse ainda que ajudou o deputado Aécio Neves em sua campanha presidencial em 2014 com R$ 3 milhões via caixa dois. O dinheiro foi repassado pelo empresário José Carlos Lavouras e a OAS.

Preso desde novembro de 2016, o ex-governador decidiu no início do ano confessar os crimes que cometeu ao longo de toda vida pública. Ele não tem acordo de delação premiada firmado.

A estratégia da defesa de Cabral é reduzir as penas do ex-governador, alvo de 30 ações penais e que já acumula nove condenações e quase 200 anos de pena.

O objetivo é que as confissões abram espaço para uma negociação de acordo para delação. Atualmente, procuradores ainda resistem em fechar um acordo com benefício para o emedebista.

 

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MPF denuncia Sérgio Cabral pela 29ª vez por corrupção

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu nova denúncia à Justiça contra o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Essa foi a 29ª vez que Cabral foi denunciado por causa de suspeita de envolvimento com um esquema de corrupção enquanto ele governava o estado.

Além de Sérgio Cabral, que está preso desde novembro de 2016, foram denunciados o ex-secretário da Casa Civil de seu governo, Régis Fichtner e seu operador, Fernando França, que também já estão presos.

Desta vez, Cabral foi denunciado por ter dado anuência ao recebimento de R$ 4,9 milhões por Régis Fichtner e Fernando França, em 21 parcelas entre 2011 e 2014, e à lavagem desses ativos.

De acordo com a denúncia, o dinheiro era entregue pelos irmãos Marcelo e Renato Chebar, por Claudio Fernando Barboza de Souza e por Vinicius Claret Vieira, através da transportadora Transexpert.

Os três são denunciados por formação de quadrilha, uma vez que eles teriam se associado de forma estruturalmente organizada para cometer o crime. A denúncia reforça a posição de Cabral como líder da organização criminosa que é acusada de vários crimes, já descritos nas denúncias anteriores.

PF prende doleiro envolvido em esquema do ex-governador Sérgio Cabral

A Polícia Federal prendeu preventivamente na manhã desta quarta-feira (20), na capital paulista, o doleiro Sérgio Guaraciaba Martins Reinas, acusado de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro com o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. O detido chegou às 9h30 na sede da Polícia Federal em São Paulo carregando uma mala. Policiais também chegaram com malotes das apreensões realizadas hoje.

Guaraciaba é suspeito de auxiliar Cabral no envio de dinheiro desviado para o exterior. Além dele, a polícia busca Nissim Chreim e Thania Nazli Battat Chreim para cumprimento da ordem de prisão preventiva, e Jonathan Chahoud, que teve determinada a prisão temporária.

A ordem partiu do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. As investigações apuram a ação da organização criminosa, responsável por desvio milionário de dinheiro dos cofres públicos.