Gigante de varejo de moda lança coleção de jeans eco-friendly

Marca investe na variedade de modelagens e em produtos ambientalmente mais corretos

O jeans já se consagrou como o grande curinga do guarda-roupa por sua versatilidade, agradando dos fashionistas aos amantes de um visual mais casual. Pensando nisso, a gigante do varejo de moda C&A, referência em inovação e jeanswear, lança coleção que traz o denim como protagonista.

Repleta de modelagens hit, a gama de produtos é variada e oferece opções de jaquetas, bermudas, calças, camisas, shorts, tops e saias. Entre os shapes, destaque para as calças de cintura baixa e a superurbana baggy. Já para montar looks com perfume boho, a C&A investe num amplo sortimento de calças flare, macacões e saias longas.

Shapes tradicionais do portfólio também marcam presença na coleção, como os modelos de calças skinny, clochard e mom. Na cartela de cores escolhida, além das diversas opções de lavagens para os jeans, a marca aposta em tons queimados, como mostarda e terra.

Reforçando o seu compromisso com a sustentabilidade, a C&A ainda anuncia que, pela primeira vez, 100% da coleção para os segmentos feminino e masculino conta com algodão cultivado seguindo os padrões da BCI (Better Cotton Initiative) – organização que atua para melhorar a produção mundial do algodão, visando a redução do impacto ambiental no processo de cultivo, além de garantir condições de trabalho mais justas aos agricultores. Alguns dos itens também contam com botões e rebites livres de níquel.

 

Outro destaque do lançamento é a cápsula de Jeans mais Sustentável, composta por 5 peças que utilizam um volume menor de água durante o seu processo de lavagem ou dispensam essa etapa – além da matéria-prima cultivada seguindo os padrões da BCI.

Desde 3 de setembro, todos os produtos da nova coleção de jeanswear da C&A estão disponíveis nas mais de 280 lojas da rede ao redor do país e em seu e-commerce – www.cea.com.br.

raquel dodge - edson fachin - impeachment - ricardo salles

Dodge tem dez dias para se manifestar sobre impeachment de ministro

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu um prazo de dez dias para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manifestar sobre o pedido de impeachment do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A ação foi protocolada pelos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) no último dia 27.

Eles afirmam que o ministro teria cometido crime de responsabilidade em suas decisões no cargo e que teria perseguido agentes públicos, atos que seriam incompatíveis com a função.

Comissão Técnica de Meio Ambiente cobra nova era para a sustentabilidade

Integrantes da Comissão Técnica de Meio Ambiente da FAEP pediram a autoridades, durante reunião no dia 19 de julho, na sede da entidade em Curitiba, que o Estado entre em uma
nova era de políticas ambientais. A pauta incluiu debates sobre agilidade na liberação de licenças ambientais, resolução de impasses com relação a terras invadidas, necessidade de
revisão na postura de órgãos de fiscalização, sustentabilidade, acesso a novos mercados, turismo rural, entre outros temas.

“Quando começamos, no início do ano, percebemos que há segmentos no Paraná para os quais temos que dar uma atenção, melhorar as ações. Dentro da agricultura, por exemplo, temos frango, peixe, suíno, leite, entre outros. Tem também em outras áreas as hidrelétricas, postos de combustíveis. Enfim, detectamos 20 setores”, conta o secretário estadual de Meio Ambiente Márcio Nunes. “A visão da Secretaria está voltada ao empreendedorismo. Hoje qualquer negócio no mundo que não levar a marca da sustentabilidade, já começa falido”, completa.

Como exemplo de uma das ações diretas na melhoria das condições de produção com relação aos aspectos ambientais, a FAEP tem integrado, junto com a Ocepar (além de técnicos e produtores rurais), um grupo de trabalho para revisar resoluções antigas quanto à liberação de licenças ambientais. A maioria das mudanças propostas é relacionada a prazos e limites para obtenção de licenciamentos.

Na ocasião, o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette, enfatizou que, sabendo da importância da natureza para a produção de alimentos, agricultores e pecuaristas paranaenses, há décadas, investem quantias milionárias em ações que visam a preservação. “Ou investimos para nos mantermos atualizados ou ficamos na estrada. O mercado, sabemos como funciona. Temos que ter consenso de que o mundo está mudando. Nós, na FAEP e no SENAR-PR, estamos preparando todo tipo de treinamento e tomando todas as atitudes necessárias para fazer frente a essas necessidades”, salientou.

Mudanças na gestão

O secretário relatou que algumas mudanças estruturais promovidas na atual gestão devem trazer maior agilidade na hora das análises de licença ambiental, como a extinção de coordenadorias e a inclusão, sob o guarda-chuva da pasta, do Instituto Água e Terra (IAT), a Paraná Turismo, o Invest Paraná e o Simepar. “Temos a possibilidade de receber o empreendedor que está disposto a investir, dar todas as orientações necessárias e, na sequência, viabilizar a licença ambiental com seguranças técnica e jurídica para que o negócio não seja barrado após o seu início”, garante Nunes.

O principal objetivo com as alterações é proporcionar uma mudança na cultura, fortalecer que há um caminho próspero para quem quer trilhar um trajetória como empresário. “Queremos mostrar com clareza que os empreendedores têm tapete vermelho no Paraná. Não vamos afrouxar, flexibilizar, acabar com o meio ambiente, não é isso. Queremos dar todas as orientações possíveis para que as pessoas obtenham o seu intento. Sabemos que o trabalho é a grande mola motriz de qualquer economia. A missão da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo só acaba a partir do momento em que o cidadão colocou o negócio para funcionar, gerando emprego”, enfatiza.

Questões fundiárias

No plano federal, o secretário Especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luiz Antônio Nabhan Garcia, também sinalizou para uma nova postura com relação à condução dos conflitos envolvendo terras. “O passivo do Paraná é o maior do Brasil disparado, com essas questões de propriedades invadidas”, diagnosticou. “Fica efetivamente concretizada uma parceria com os governos federal e estadual, para que nós façamos essas reintegrações [de posse]. Vamos passar o Brasil e o Paraná a limpo, fazer Justiça, e não ter mais a irresponsabilidade de permitir invasão”, disse.

Nabhan salientou ainda que o Paraná cumpriu 19 reintegrações de posse neste ano, um exemplo a ser seguido por outros Estados. “É isso que o Brasil precisa. Não vamos dar mais mau exemplo, porque qualquer país do mundo que se diz democrático não pode aceitar e conviver com isso”, defendeu.

Turismo rural como chamariz de negócios

Outro ponto levantado durante a reunião é o fato de que ainda não há uma legislação que regulamente a questão da emissão de notas fiscais de prestação de serviço pelos produtores rurais. Sobre isso, a deputada federal Aline Sleutjes (PSL-PR) se comprometeu a levar a questão a Brasília para uma análise e, posteriormente, uma alternativa – Projeto de Lei ou resolução que envolva os ministérios da Agricultura e o Turismo.

O desenvolvimento do turismo rural também está na pauta do governo estadual, segundo o presidente da Agência Paraná Turismo, João Jacob Mehl. “Temos que evoluir nesse segmento, como ocorre na Europa, onde as pessoas vão a uma propriedade rural e podem dormir, se alimentar, usufruir da fazenda. Começamos a participar de feiras nacionais de turismo e temos propostas para feiras internacionais. Temos ainda a TV Educativa, que foi transformada em TV Turismo. Tudo isso vai facilitar muito o nosso trabalho de vender o Paraná como destino”, enfatizou.

A deputada federal Aline Sleutjes também falou sobre uma viagem que fez, representando o Brasil. A parlamentar integrou a comitiva do governo federal à Ásia – Japão, China, Vietnã e Indonésia – em busca de abertura de novos mercados para os produtos brasileiros. “Na China, conseguimos alavancar um setor de suma importância, o da carne. Estamos com dificuldade de liberação desse comércio há muitos anos. Tem frigoríficos há muitos anos tentando se credenciar para mandar carne para lá. Nós devemos credenciar 78 plantas junto a China e, possivelmente, outras para continuar ampliando as possibilidades de negócio”, relatou Aline.

Leia mais notícias no Boletim Informativo.

Mercado Municipal terá Banco de Alimentos para doação a pessoas carentes

Curitiba será a primeira cidade do Brasil a ter um Banco de Alimentos dentro do Mercado Municipal. O projeto de coleta de produtos não vendidos pelos comerciantes do mercado foi apresentado ao prefeito em exercício, Eduardo Pimentel, nesta sexta-feira (26), durante um dia de visitas a estabelecimentos de segurança alimentar do município.

“O primeiro Mercado Municipal do país a ter um setor de orgânicos também será pioneiro nacionalmente ao fortalecer a segurança alimentar de segmentos mais carentes, com a doação de frutas e verduras que não servem mais para o comércio, mas que permanecem adequados ao consumo”, destacou Pimentel, ao parabenizar a iniciativa da Associação dos Comerciantes Estabelecidos no Mercado Municipal de Curitiba (Ascesme), que será responsável pela implantação do local, em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Smab) e outras entidades.

O Banco de Alimentos irá ocupar um imóvel de 120 metros quadrados, na Rua da Paz, dentro do complexo do Mercado Municipal. No espaço, haverá uma área separação e higienização dos alimentos recolhidos, um setor climatizado para acondicionamento das frutas e verduras que serão distribuídas a entidades cadastradas e também um local para descarte dos resíduos que, realmente, são lixo e não poderão ser consumidos.

A previsão do presidente da Ascesme, Mario Shiguemitu Yamasaki, é que o Banco de Alimentos do Mercado Municipal comece a funcionar no segundo semestre de 2019. “Nossa intenção é que os produtos que ainda são próprios para consumo não sejam destinados ao lixo”, reforçou ele.

Mensalmente, deverão ser doadas 15 toneladas de alimentos a 150 entidades sociais, beneficiando cerca de 15 mil pessoas carentes.

Missão

O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Luiz Gusi, salientou que a parceria da Ascesme com a secretaria segue a missão da Prefeitura de reduzir o desperdício e promover o aproveitamento integral dos alimentos. “Precisamos entender que alimento não é lixo. Não podemos jogar comida fora enquanto tanta gente passa fome”, comentou.

Gusi afirmou que a implantação do Banco de Alimentos do Mercado Municipal irá envolver outras instituições parceiras, como o programa Mesa Brasil do Sesc, que destina alimentos com algum tipo de “machucadinho” coletado nos Sacolões da Família a instituições filantrópicas de Curitiba; e também universidades da capital, que ficarão responsáveis pela capacitação da equipe que fará a coleta e seleção dos alimentos do banco.

Além disso, produtos não vendidos por comerciantes do Mercado Regional Cajuru serão enviados para o Banco de Alimentos administrado pela Ascesme.

Carros elétricos representam 0,003% da frota paranaense; Estado investe em incentivos

O Paraná tem, hoje, 275 veículos elétricos, o que representa 0,003% de uma frota de 7.237.593 carros, motocicletas, ônibus e caminhões. Os dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) mostram que a maioria dos veículos elétricos se concentra em Foz do Iguaçu (80) e Curitiba (73). Eles estão presentes em apenas 31 cidades, o que representa 7,7% das 399 cidades do estado.

Para mudar essa realidade, o governo estadual tem investido em programas de incentivo. “Estamos trabalhando antenados ao que o mundo vem fazendo. As soluções sustentáveis partem de carros que poluem menos”, explica o governador Ratinho Junior.

Atualmente, o Paraná busca a ampliação do programa Smart Energy (vinculado ao Tecpar), parcerias com o setor privado e o fortalecimento da eletrovia da Copel, que corta o Estado de Leste a Oeste via BR-277.

Com o intuito de incentivar a aquisição, as metas de sustentabilidade ambiental do Acordo de Paris e a geração de novas tecnologias na área, o governador apresentou um projeto de lei propondo zerar a alíquota do Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA) e uma sugestão ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para tirar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a compra dos veículos elétricos.

Ao mesmo tempo, a Copel simula a adesão de novos consumidores e garante que consegue atender um incremento repentino de até 700% nesse mercado. A companhia concentra recursos para se tornar protagonista dessa onda com a sua capacidade elétrica instalada.

“Estamos prontos para acompanhar essa evolução. Temos cenários hipotéticos e grande preocupação preventiva, para que energia não seja um gargalo do desenvolvimento”, afirma Julio Omori, superintendente de Smart Grid e Projetos Especiais da Copel. “Se essa possibilidade despontar, estamos preparados”.

A popularização dos veículos elétricos congrega justamente uma rede capaz de suprir a demanda, aumento de circulação dos veículos e políticas de incentivo que espelham as melhores iniciativas da União Europeia e barateiam os custos. “Esses carros têm energia limpa, não têm ruído e facilitam a vida urbana. É uma tecnologia adotada em muitos países e o Paraná volta a ter uma energia verde. É um ciclo para ter uma frota mais consistente”, completa Mauro Monteiro, Diretor de Operações do Detran-PR.

O Instituto de Tecnologia do Paraná estabeleceu parcerias para promover estudos sobre uso dos veículos elétricos. “Estamos em constante desenvolvimento, certificação da cadeia de eletropostos, dimensionamento dessa otimização de distribuição”, comenta Rafael Rodrigues, Diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Tecpar.

“Recentemente fechamos acordos de cooperação com o Sistema Fiep, o Senai e a Renault para explorar a cadeia produtiva de biocombustíveis e geração distribuída, além dos dados dos veículos elétricos”, explica.

O projeto Smart Energy, incubado no Tecpar, tem como membros da governança representantes de secretarias estaduais, de empresas públicas, universidades estaduais e federais, Itaipu Binacional, Federação das Indústrias Paraná (Fiep).

O projeto tem como missão desenvolver as competências locais em energias renováveis e sensibilizar a sociedade para o uso consciente da produção de energia limpa.

Como parte da estratégia de estar alinhado às últimas tendências na área de tecnologia e inovação, o Tecpar também firmou parceria com a Renault para disponibilizar ao instituto a plataforma do Twizy, veículo elétrico produzido pela montadora.

Com a plataforma e os dados abertos do protótipo disponibilizado pela montadora, pesquisadores do instituto podem desenvolver novos estudos para criarem novos veículos elétricos, com proposta de transformar o Estado no mais inovador do País.

Como desafios, além da necessidade de popularizar a tecnologia, estão empecilhos logísticos e legais. Segundo Rafael Rodrigues, um entrave é o arcabouço legal. “A Aneel ainda não dá segurança institucional para o investidor entrar de cabeça no processo produtivo dos eletropostos. Ainda faltam grandes players, fabricantes nacionais. É preciso vencer essa parte regulatória. É preciso demonstrar para o usuário que esse sistema existe e funciona. Infraestrutura é fundamental”, afirma.

O Paraná também precisa aumentar o número de eletropostos conforme cresce a demanda. Atualmente são 18 eletropostos nas cidades e 12 na BR-277 (eletrovia). Curitiba tem 13, Maringá dois, Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel com um cada. Só Londres, por exemplo, conta com 800 pontos de recarga. Em Portugal, com tamanho inferior ao Paraná, há 500.

Brasil tem ecossistema favorável

A diretora de Veículos Leves da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) e diretora da Renault do Paraná, Sílvia Barcik, lembra que a onda de carros elétricos leva em consideração que o País tem um ecossistema altamente favorável.

“O Brasil produz 85% de sua energia de fontes renováveis”, diz ela. Ela observa que o País espera que a capacidade de economia dos elétricos também impacte os consumidores. Um carro elétrico tem 40% a menos de manutenção e dá para rodar 300 quilômetros com R$ 40. O motor a combustão é menos eficiente, mesmo com álcool há perda de 70% com o aquecimento. O elétrico é o oposto, perde apenas 30% e usa 70%”, afirma Sílvia.

Produção de veículos aumentou 

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o Brasil tem 8.182 veículos elétricos, a maioria esmagadora em São Paulo (1.897). A frota total é de 103,38 milhões – elétricos representam apenas 0,007%.

Os veículos elétricos do País ainda são produzidos em fábricas no exterior, o que também encarece os custos. Em 2012 foram comercializados 117 em todo o país. No ano passado foram 3.970, segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), aumento de mais de 3.000%. O número engloba elétricos puros e híbridos. As vendas têm aumentado de ano em ano e apenas em 2019 já somam 657.

O Brasil já percorreu importantes passos na direção dos veículos elétricos. Quando chegaram, os veículos recebiam taxação de 35% no imposto de importação, mais custos de PIS/Cofins, ICMS e IPI (25%). A tributação de importação caiu para 0% em 2018 e o IPI para 7%. A proposta sobre ICMS torna o Paraná pioneiro no País. Atualmente sete estados e 13 municípios isentam IPVA dos veículos elétricos.

Eletrovia paranaense é destaque 

A maior eletrovia do Brasil, instalada no Paraná pela Copel em 2018, completou 330 recargas neste ano. São 730 quilômetros de extensão, ligando o Porto de Paranaguá às Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Foram consumidos 2.914 kWh, uma média de 8 kWh por recarga, a um custo aproximado de R$ 6,75 cada. Por ser um projeto de pesquisa, os motoristas não tiveram custo para abastecer. As estações são todas de carga rápida: leva entre meia e uma hora para carregar 80% da bateria da maioria dos carros elétricos, modelos que rodam de 150 a 300 quilômetros a cada carga. A Copel investiu R$ 5,5 milhões no projeto, com recursos de pesquisa e desenvolvimento

Com informações da ANPr

Xico Graziano: os 10 desafios a serem vencidos pelo agronegócio

Em palestra no ciclo de eventos CBN Agro 2019, que conta com apoio da FAEP, o engenheiro agrônomo e professor Xico Graziano elencou 10 desafios que considera prioritários para o agronegócio. Na apresentação de abertura do ciclo, em Guarapuava, Graziano esmiuçou cada um desses pontos, de forma abrangente e provocadora. O especialista em sustentabilidade e economia agrária incentivou, também, agropecuaristas a “pensarem fora da caixa” e a se prepararem para as próximas décadas, sem depender do apoio do governo. Esta é a terceira edição do evento.

Um dos principais pontos defendidos por Graziano é a necessidade de evolução constante – de olho na revolução tecnológica. Tudo isso, de olho na organização do setor – por meio de entidades, como cooperativas, associações e sindicatos – e com um processo de renovação constante. Neste sentido, o palestrante destacou a iniciativa da FAEP de promover um evento voltado a fomentar o surgimento de novos líderes e a aumentar a adesão da categoria: o 1º Encontro Regional de Líderes Rurais (leia mais na página 10).

A FAEP, por exemplo, está com um desafio enorme e está fazendo o que tem que fazer: investindo na formação de lideranças. Eu gosto muito disso”, afirmou.

Outro aspecto apontado como determinante por Graziano é a abertura da economia. É imprescindível que o Brasil esteja preparado para abrir suas fronteiras comerciais e a competir no mercado mundial. Em uma perspectiva liberal, ele acredita na força da regulação do mercado. Paralelamente, apontou que é necessário que o país mantenha o mercado interno em constante expansão.

“Por que a China e a Coreia estão dominando a economia global? Porque abriram sua economia. Só o Sudão tem uma economia mais fechada que o Brasil”, disse. “Se isso [a abertura comercial] acontecer, será bom para o Brasil, pois vai ganhar dinheiro”, avaliou.

Ao mesmo tempo, o especialista mencionou outros desafios urgentes, como a valorização da meritocracia e adoção de mecanismos de compliance – técnicas e recursos adotados pelas agroempresas para comprovar transparência. Outro aspecto elencado como prioritário por Graziano é a sustentabilidade, com a adoção cada vez maior de fontes de energias renováveis e a redução de matrizes que contemplem larga emissão de carbono.

Calendário

O ciclo de eventos CBN Agro começou na segunda semana de abril, quando passou por Guarapuava, Ponta Grossa e Londrina. As apresentações ainda irão ocorrer em Cascavel (22), Toledo (23), Umuarama (24), Maringá (25) e Campo Mourão (26).

Leia mais notícias sobre o agronegócio no site do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Feira Emporium Handmade reúne 140 expositores neste final de semana

Criada há 5 anos para reunir artistas, artesãos e designers interessados em mostrar e comercializar produtos de comprometimento social e sustentável, o Emporium Handmade tem sua 6ª edição neste final de semana em Curitiba. 

O evento vai na contramão do consumo de massa e industrializado, abrindo espaço ao autêntico e ao feito à mão, e ao mesmo tempo oferecendo um programa para toda a família.

Durante os dois dias da feira, há oficinas e workshops, shows e outras apresentações culturais. Além disso, a área de gastronomia apresenta inúmeras opções para a hora da fome ou para quem quer levar delícias saudáveis para casa. Não custa lembrar que a entrada para a feira é gratuita e as crianças têm passe livre em todas as oficinas infantis.

Outra forte característica é a presença de marcas que participam desde o início a ajudaram a formatar a cara do evento. Porém, com a visibilidade conquistada durante os anos, a Emporium Handmade mostra uma imensa capacidade de se renovar. Das 140 marcas participantes, 51 participam pela primeira vez, incluindo os empreendedores de estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Com o crescimento, o Emporium tomou todo o espaço da sede social do Clube Morgenau. Grande parte da programação é gratuita. Confira:

Sábado:

11h30 – Oficina Bordado Livre – Aprendendo o básico com Araruta – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor*

11h30 – Oficina Pintura Bauermelei – com Ateliê Tinta Flor – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor

11h30 – Oficina – Oficina Pista de Dragster com Dá para Recriar – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor*

11h30 – Oficina Monstrinhos de Modelar com Camila Santos Art – Espaço Kids Mamãe Retrô*

13h – Oficina Cesta de páscoa com tecelagem Manual com Mamãe Retrô – Espaço Kids Mamãe Retrô

13h – Oficina de Origami Temática StarWars com KelPererel – Palco

14h – Oficina Amigurumi Básico com Amigloo Ateliê – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

14h – Oficina Macramê para iniciantes com Boho Macramê Decor – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

14h – Oficina Um Jardim para Pequenos com Meu Jardim de Cimento – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

15h – Oficina Pintando Pedras com Caixa da Criatividade – Espaço Kids Mamãe Retrô*

15:30h – Apresentação Teatral –  CIRCO RODADO – Palco

16h – Oficina Começando a Costurar com Day Lima Oficinas de Costura – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

16h – Oficina Luminária em PVC com Ju Luminárias – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

16h – Oficina Os fios do feminino com Revista URDUME – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

16:30h – Oficina Adote um caixotinho com Mamãe Retrô – Espaço Kids Mamãe Retrô

 

Domingo

10h30 – Oficina Nó Náutico para acessórios com Aleka Acessorios Ateliê – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

10h30h – Oficina Kokedamas para todos com Forêt Jardinaria Criativa – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

10h30 – Oficina de Origami – Kussudama com KelPererel – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

11h – Apresentação Teatral –  FAFÁ CONTA – Palco

12 h – Oficina Coelhos de madeira com Mamãe Retrô – Espaço Kids Mamãe Retrô

13h – Oficina Colares bordados com Gal Design – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

13h – Oficina Amigurumi Básico com Amigloo Ateliê – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

13h – Oficina Vasinhos de Páscoa com GIA Linhas e Formas – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

15h – Oficina Costurando seu bichinho com Day Lima Oficinas de Costura – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

15h – Oficina Mini Caderno Costurado com Atelier Miriam Asanome – Espaço DIY – Atacados Beija-Flor *

16h30 – Oficina Atelier de Pintura com Mamãe Retrô – Espaço Kids Mamãe Retrô

 

* Oficina paga. Consulte www.facebook.com.br/emporiumhandmade/events

** Durante todo o dia – Cantinho do Era Uma Vez autografando livros, conversa com autores e ilustradores, contação de histórias e ações artísticas. (gratuito)

*** Durante todo o dia – Espaço de Brincar – Clubinho dos Pititicos – Espaço lúdico, com brinquedos de pano, sem recursos eletrônicos e plásticos. (gratuito)

Durante a programação – Espaço Encontra Cultura – O coletivo promoverá uma experiência artística, no qual o público se torna o próprio artista enquanto produz e tem contato com obras de artes, pocket shows e bate-papos culturais. (gratuito)

As apresentações do palco principal e as oficinas do Espaço Kids são gratuitas

Oficina Pintura Bauermelei – com Ateliê Tinta Flor é gratuita

Serviço:

16ª Emporium Handmade – B-day

Clube Sociedade Morgenau – Av. Senador Souza Naves, 945 – Cristo Rei

6 e 7 de abril – sábado, das 11h às 20h, e domingo das 10h às 19h

Entrada gratuita

Aceita cartões de crédito e débito

Estacionamento conveniado

Curitiba investe em inovação para manter liderança entre cidades inteligentes

Curitiba é a cidade mais inteligente do Brasil. Em setembro deste ano, a capital ultrapassou São Paulo no levantamento realizado pela Connected Smart Cities, que avalia o desempenho de mais de 700 municípios do país.

No ranking de Smart Cities são considerados fatores como melhorias em inovação, sustentabilidade e qualidade nos serviços oferecidos para a população. A boa avaliação, no caso de Curitiba, se deve, principalmente, aos investimentos em transparência e tecnologia.

A capital tem nota 10 na Escala Brasil Transparente, nota 0,8514 no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal e despesa realizada com urbanismo de R$ 548 por habitante.

Para manter a posição de destaque, poder público, startups, universidades, entidades de fomento à inovação e empreendedores estão sendo incentivados a trabalhar juntos e investir em soluções inovadoras em áreas como mobilidade urbana, saúde, educação, meio ambiente e até segurança alimentar. É o movimento Vale do Pinhão.

“Curitiba se destaca por possuir quatro Parques Tecnológicos (Polos), sete incubadoras de empresa, um ecossistema de inovação (Vale do Pinhão) e por apresentar crescimento de 20% das microempresas individuais”, explica Laila Del Bem Seleme Wildauer, pesquisadora do Observatório Sistema Fiep, Líder do Projeto Curitiba 2035.

No processo de construção coletiva do Curitiba 2035, segundo a pesquisadora, atores estratégicos da cidade priorizaram nove grandes áreas: Cidade da Educação e do Conhecimento; Coexistência em uma Cidade Global; Desenvolvimento Socioeconômico; Governança; Meio Ambiente e Biodiversidade; Mobilidade e Transporte; Planejamento e Gestão Urbana; Saúde e Qualidade de Vida; Segurança.

Para cada área, foi construída uma visão de futuro, definidos seus respectivos fatores críticos de sucesso e correspondentes ações de curto, médio e longo prazos, necessárias à concretização das visões temáticas.

“O planejamento encontra-se em uma fase de implementação da governança, que tem por objetivo orientar a execução das ações propostas, bem como aproximar e integrar os atores envolvidos na concretização do projeto de futuro do município, objetivando atingir as visões estabelecidas”, explica.

Vale do Pinhão

O Vale do Pinhão nasceu com o objetivo de incentivar a inovação na capital. Um dos braços desse movimento é a Agência Curitiba, que tem um papel de governança e coordena as ações em todas as áreas da administração pública.

Segundo a presidente do órgão ligado à Prefeitura, Cris Alessi, o trabalho, nos dois primeiros anos da gestão do prefeito Rafael Greca, foi fundamental para estruturar os projetos e criar arcabouços legais para trazer segurança jurídica e fomentar as iniciativas públicas e privadas voltadas à inovação.

Nos próximos dois anos, as ações estarão concentradas em questões urbanas; incentivo ao uso dos espaços públicos, novos modais de transporte e abertura de espeço para atrair novas empresas. “Até o final da gestão, queremos que a cidade esteja estruturada para crescer como uma cidade inteligente e com o cidadão no centro das ações. Queremos as pessoas nas ruas e o nosso sonho, até o final da gestão, é consolidar a estratégia de cidade inteligente”, diz Cris.

Lei de Inovação

O Vale do Pinhão trabalha com cinco pilares. Cada um deles agrega todas as áreas da prefeitura com foco no desenvolvimento de projetos. As ações são organizadas pela Agência Curitiba, para proporcionar uma governança única.

Este ano, o município viabilizou também o marco legal para a área, com a aprovação, pelos vereadores, da Lei da Inovação. Com isso, a cidade passou a contar com um balizador para que a inovação se desenvolva de forma integrada, sistêmica e sustentável, com parâmetros que trazem segurança jurídica aos empreendedores e fomentam o desenvolvimento do setor.

De acordo com Laila, o papel do poder público na construção de cidades inteligentes é promover a articulação dos atores dos diversos segmentos da sociedade, com o objetivo de planejar a longo prazo. “Além disso, estabelecer parcerias estratégicas, confiáveis e que tenham grande expertise, torna-se essencial na implementação de tecnologias adequadas às necessidades atuais da localidade e com desdobramentos que possam suprir demandas futuras”, explica.

“Outro aspecto importante é a regulamentação das novas soluções, pois agilizam a aplicação em escala, gerando benefícios sociais e econômicos”, avalia Laila.

  • EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

A educação é parte fundamental na criação de uma cultura inovadora. O município investiu no incremento de um marco nesta área, com a transformação dos Faróis do Saber em Faróis do Saber e da Inovação. “Estamos investindo na cultura maker, de aprender fazendo, de ter acesso à tecnologia de uma impressora 3D”, diz Cris Alessi. “Tudo para que elas aprendam a solucionar problemas nessa cultura ‘mão na massa”.

Também acontecem ações em outros níveis, como o programa ‘Bom Negócio’, que é voltado para pequenos empreendedores. “[O Bom Negócio] organiza esses empreendedores em uma rota de conhecimento que passa por EAD, presencial e semipresencial. Ele é fomentado por mais de 20 instituições de ensino que gerem esse projeto junto à prefeitura”, afirma Cris Alessi, que é também responsável pelo programa.

Há, ainda, um projeto com foco nas mulheres. Segundo Cris, mais de mil mulheres participaram das palestras ministradas pela prefeitura neste ano.

  • REURBANIZAÇÃO

A inovação não inclui – como muita gente pode pensar – apenas questões ligadas à tecnologia. Um dos melhores exemplos de como Curitiba vem se desenvolvendo nesta área são as hortas comunitárias. O projeto Horta do Chef colocou a capital paranaense entre as seis mais inteligentes do mundo na categoria “ambiente urbano” do World Smart City Awards, realizado em Barcelona em novembro.

“Essas hortas acabam trazendo não só melhor qualidade alimentar para as famílias, mas desenvolvem todo o ciclo econômico de famílias de baixa renda, que podem vender o que elas plantam para restaurantes renomados da cidades e armazéns da família”, explica Alessi.

Outro projeto de recuperação de áreas urbanas foi implantado no bairro Rebouças, onde está a Agência Curitiba. “Temos o projeto de ocupação de espaços daquela região, que foi o primeiro distrito industrial da cidade, para atrair empresas com olhar de economia criativa”.

  • FOMENTO

Neste ano foi reaberto o Tecnoparque, programa de atração de empresas de base tecnológica para a capital. Suspenso para novas adesões desde 2013, o programa voltou a oferecer desconto no Imposto Sobre Serviços (ISS) às empresas que investem em tecnologia e inovação.

  • ARTICULAÇÃO DO ECOSSISTEMA

Nessa área, são realizados eventos de integração e acesso. “Unimos empresas, startups e pessoas que querem conhecer mais esse mundo, além de dar visibilidade às tantas ações legais que Curitiba está fazendo”, afirmou Cris.

São realizadas reuniões temáticas sobre mobilidade, saúde, novas energias 4.0, para buscar soluções reais e transformar a cidade em um laboratório urbano. “Também apoiamos todos os eventos que venham e possam disponibilizar para a população oportunidades para desenvolvimento nesse sentido”, disse.

Curitiba também ganhou o Worktiba Barigui, o primeiro coworking público municipal do Brasil, aberto em março de 2017.

  • TECNOLOGIA / INTERNET DAS COISAS

Esse pilar trata da desburocratização dos processos e digitalização – como, por exemplo, o aplicativo Saúde Já, que reduziu as filas para o pré-atendimento médico nas unidades de saúde. “É um exemplo de como a tecnologia pode ajudar. A área também envolve a internet das coisas, traz mais conectividade nas cidades, sustentabilidade e novas energias”, finaliza Cris.

Aplicativo Saúde Já ajudou a reduzir as filas no SUS. Foto Luiz Costa / SMCS

Busca pela inovação

Na busca pelos preceitos que tornam a capital uma cidade inteligente, alguns setores desempenham um papel fundamental. É o caso da indústria, um dos carros-chefe da inovação no estado, das grandes plantas às startups.

A startup paranaense eiON, desenvolvedora do Buggy Power, um veículo 100% elétrico, é um dos cases de sucesso. A empresa, inclusive, já apresentou o seu carro ecológico em uma palestra no Worktiba Barigui.

Milton dos Santos Jr. e a equipe da Eion. Foto: Luiz Costa / SMCS

A startup também se inscreveu no edital de encubação para o Centro de Tecnologia de Veículos Híbridos e Elétricos do Sistema Fiep. “A tecnologia pode ser uma grande aliada na melhoria da infraestrutura, na transformação de centros urbanos em espaços mais eficientes e consequentemente na melhoria da qualidade de vida da população”, explica Laila.

Entre os exemplos, a pesquisadora cita semáforos inteligentes, aplicativos diversos que contribuem para a mobilidade e compartilhamento de carros. “São ferramentas que tornam os serviços urbanos mais eficientes e com menor custo, permitem que a cidade se reinvente a todo momento e alavancam a qualidade de vida e a prosperidade econômica local”, afirma.

Brasil pode ser líder em desenvolvimento sustentável, dizem cientistas

País com a maior biodiversidade do planeta, o Brasil tem a legislação necessária, o capital humano e a capacidade instalada para ser líder mundial nos acordos globais para o desenvolvimento sustentável, porém precisa corrigir rumos e adotar políticas mais adequadas. É o que aponta o Sumário para Tomadores de Decisão do Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e de Serviços Ecossistêmicos, lançado hoje (8) pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e de Serviços Ecossistêmicos (BPBES, da sigla em inglês), em evento no Museu do Amanhã, na zona portuária do Rio de Janeiro.

Criada em 2015, a plataforma reúne cerca de 120 pesquisadores, com apoio financeiro do governo federal e do governo de São Paulo, e foi inspirada na Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), das Nações Unidas, datada de 2012

Para o professor de ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Fabio Scarano, um dos coordenadores do trabalho, a cada ano, os dados científicos trazem novas informações e evidências sobre a urgência de se cuidar do planeta. Ele destaca que apesar de ainda ter muitas questões para resolver, o Brasil já obteve grandes avanços.

“O país tem uma legislação boa para lidar com sistemas naturais, tem capacidade instalada, formação de recursos humanos. Estamos formando mais do que um doutor por dia no setor de biodiversidade. Há muitos ganhos o país tem histórico de liderança nos acordos globais, tanto na diversidade biológica como no clima, no combate à desertificação e nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.”

Por outro lado, ele aponta que o país tem ações contraditórias. “Temos várias leis que não são cumpridas, cerca de 80% do desmatamento no país é ilegal. Temos também a necessidade de se mudar de uma prática mais marrom para uma prática mais verde [de produção e consumo]. E a iniciativa não deve vir só do governo, mas também do setor privado, para a gente criar um ambiente mais favorável que se dê essa mudança”.

Já o coordenador da plataforma brasileira, Carlos Joly, defende que a principal mudança é dar escala global para soluções locais. “Não é uma construção exclusivamente da academia, já está envolvendo outros atores. Agora, com essas conclusões, nós vamos tentar ver de que forma isso pode ser implementado. Se você senta com o produtor agrícola e explica que manter áreas de vegetação nativa, com a presença dos polinizadores, isso vai aumentar a produtividade em 20% na soja, ele vai entender que tem a ganhar com isso.”

SUMÁRIO

Ao apresentar o trabalho, a professora da Universidade de Brasília Mercedes Bustamante afirmou que o protagonismo do Brasil na questão do desenvolvimento sustentável se dá pela biodiversidade que tem, uma vez que possui 42 mil espécies vegetais e 9 mil espécies de animais vertebrados, além de 129 mil espécies de invertebrados conhecidos, embora a lista de ameaças tenha 1.173 animais e 2.118 plantas.

Além disso, tem uma diversidade cultural importante, com 5 milhões de brasileiros que pertencem a comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, caiçaras e ribeirinhos, que dependem da natureza no seu modo de vida e trazem um rico conhecimento de práticas agroecológicas e medicinais. Essa população ocupa um quarto do território nacional.

Na questão econômica, o levantamento destaca que a biodiversidade do Brasil permite a exportação de 350 produtos agrícolas. E relembra que 70% do consumo de alimentos pela população brasileira vêm da agricultura familiar e dois terços da energia elétrica consumidas no país são produzidas em usinas hidrelétricas que dependem da integridade do ecossistema. O Brasil é o terceiro maior exportador de produtos da silvicultura, com 3,64% da produção mundial.

“Vivemos uma crise sistêmica global, expressa por vários atores, como a pressão demográfica, a escassez de recursos, as mudanças nos padrões de consumo, o que é chamado de tempestade perfeita de crises simultâneas”, afirmou.

Para a professora, há urgência nas escolhas para garantir um futuro sustentável. “Para isso, é preciso incorporar a biodiversidade e serviços ecossistêmicos às políticas de desenvolvimento do país, promover o cumprimento das leis, inovar no desenho de políticas que integrem componentes sociais, econômicos e ambientais e reconhecer o papel da ciência como elemento-chave na tomada de decisão”.

Copel vai inaugurar estrutura de eletropostos de Foz do Iguaçu ao Litoral

“Quando lançamos [o projeto] em fevereiro me perguntaram por que estávamos fazendo, se não há veículos ou um volume significativo. Eu disse que não há veículos porque não temos eletropostos e não temos eletropostos porque não temos carros elétricos, é um ciclo vicioso. A estratégia foi para tornar esse ciclo vicioso em virtuoso”, explica o diretor-presidente da Copel Distribuição, Antonio Guetter, ao Metro Jornal, sobre a primeira “eletrovia” do país.

O projeto é classificado dessa forma pois abrange todos os 730 km da BR-277, que corta o Paraná de leste a oeste, desde Paranaguá até Foz do Iguaçu. Ao todo serão 11 unidades para abastecimento de veículos elétricos, ou seja, uma média de um eletroposto a cada 66 km.

Na prática, eles não ficarão todos nesta distância, mas foram bem distribuídos. “Não são mais que 100 km de um a outro, para dar conforto aos motoristas viajarem tranquilos, dá até para escolher”, diz Guetter. Atualmente os poucos veículos elétricos comercializados no país têm autonomia que varia de aproximadamente 150 km até 300 km. Quatro dos 11 postos já estão em funcionamento, sendo dois desde março: no km 3 da rodovia na capital (dentro da sede da Copel) e na agência da Copel em Paranaguá.

O terceiro entrou em funcionamento no final de agosto, no Centro de Recepção de Visitantes da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, e o último semana passada no restaurante Anila, em Irati. Os demais sete (veja acima) devem entrar em funcionamento nas próximas semanas. “Temos como data limite o início de dezembro, mas no fim de novembro todos devem estar operando”, afirma Guetter.

As estações serão todas de carga rápida e por enquanto gratuitas: em cerca de meia hora, variando para mais ou menos dependendo do modelo, 80% da bateria pode ser carregada. “Estamos
em fase de pesquisa e desenvolvimento, incentivando o mercado, mas mesmo que cobrássemos o preço ficaria de quatro a cinco vezes mais barato do que a gasolina”, conta o diretor.

Para Guetter, o setor elétrico está perto de uma grande mudança. “Há mais de 100 anos é a mesma coisa basicamente, só foi crescendo e modernizando, mas o negócio em si não. Vamos ter uma mudança disruptiva. Nos próximos anos teremos uma revolução no transporte individual”, analisou.

No Brasil, três mil unidades de carros híbridos e elétricos foram comercializados no ano passado. Recentemente, o governo anunciou a redução do IPI para o setor.