sarampo paraná

Casos de sarampo no Paraná crescem 30% e chegam a 316 ocorrências

Os casos de sarampo seguem em alta no Paraná. De acordo com o Boletim Epidemiológico da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), houve crescimento de 30% nas ocorrências dessa doença nessa última semana, com 43 novos registos e 316 pessoas infectadas no estado.

O alcance da doença também tem crescido. Apenas duas das 22 regionais do estado – Campo Mourão e Cornélio Procópio, não registraram casos de sarampo.

“O vírus se espalha rapidamente e o sarampo pode ter consequências muito graves. É uma doença que pode comprometer seriamente a saúde. As complicações que uma pessoa que teve sarampo pode desenvolver são otites, infecções respiratórias e doenças neurológicas, a redução da capacidade mental, surdez, cegueira e retardo do crescimento”, alertou Beto Preto, secretário da Saúde.

CASOS DE SARAMPO NO PARANÁ

  • Curitiba: 217
  • Almirante Tamandaré: 4
  • Araucária: 1
  • Balsa Nova: 1
  • Campina Grande do Sul: 2
  • Campo do Tenente: 3
  • Campo Largo: 8
  • Colombo: 20
  • Fazenda Rio Grande: 1
  • Lapa: 1
  • Mandirituba: 1
  • Pinhais: 10
  • Piraquara: 10
  • Quatro Barras: 1
  • Rio Branco do Sul: 5
  • São José dos Pinhais: 11
  • Castro: 2
  • Ponta Grossa: 1
  • Irati: 1
  • Maringá: 2
  • Londrina: 7
  • Rolândia: 1
  • Carlópolis: 3
  • Jacarezinho: 3

CURITIBA LIDERA CASOS

Dos 217 casos de sarampo na capital paranaense, 58% estão lotados entre pessoas de 20 a 29 anos. Outros 271 indivíduos estão sendo monitorados pela SMS (Secretaria Municipal da Saúde), em parceria com a Sesa. Nessas ocorrências, grande parte das confirmações é obtidas apenas com o exame de sangue, sete dias após o surgimento das manchas vermelhas na pele.

Ainda de acordo com a SMS, 29 casos foram importados de outras localidades. A Secretaria acredita que São Paulo tenha sido a fonte dessas infecções. Ao todo apenas 12 pessoas precisaram sem internadas, mas todas já receberam alta hospitalar.

O sarampo é uma infecção viral, altamente contagiosa e de fácil transmissão. Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, exantema – manchas avermelhadas na pele que aparecem primeiro no rosto e atrás da orelha e depois se espalham pelo corpo. Também podem ocorrer dores de cabeça, indisposição e diarreia.

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Sarampo avança mais 18% em uma semana e casos confirmados chegam a 273 no Paraná

A escalada do sarampo continua e o Paraná já registra 273 casos confirmados, de acordo com a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde). Foram 42 doentes novos em uma semana, o que representa uma avanço de 18% em sete dias.

Quase 73% dos casos estão concentrados em Curitiba. Considerando os municípios do entorno, a região metropolitana da capital registra 95,5% de todos os registros do sarampo no Paraná.

CASOS DE SARAMPO NO PARANÁ

  • Curitiba: 199
  • Almirante Tamandaré: 3
  • Araucária: 1
  • Balsa Nova: 1
  • Campina Grande do Sul: 2
  • Campo do Tenente: 2
  • Campo Largo: 7
  • Colombo: 18
  • Fazenda Rio Grande: 1
  • Mandirituba: 1
  • Pinhais: 6
  • Piraquara: 4
  • Rio Branco do Sul: 2
  • São José dos Pinhais: 11
  • Ponta Grossa: 1
  • Irati: 1
  • Maringá: 2
  • Londrina: 5
  • Rolândia: 1
  • Carlópolis: 3
  • Jacarezinho: 2

PARANÁ REFORÇA NECESSIDADE DA VACINA

De acordo com a Sesa, a maior incidência do sarampo ocorre entre os adultos jovens, na faixa etária entre 20 e 29 anos, com 151 casos. Outras 69 confirmações foram registradas na população com idades entre 10 e 19 anos.

“Precisamos que todas as pessoas não-vacinadas compareçam nas unidades de saúde e tomem as doses necessárias gratuitamente. Para acabar com as cadeias de transmissão, é essencial que todos estejam prevenidos”, reforçou o secretário de Saúde Beto Preto.

A segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo está prevista para acontecer entre os dias 18 e 30 de novembro. Neste período, o foco estará juntamente na faixa etária mais afetada no Paraná (20 a 29 anos).

Vacinação -sarampo

13 estados ficam abaixo da meta global de vacinação contra o sarampo

Balanço parcial divulgado pelo Ministério da Saúde (MS) indica que o Brasil atingiu a meta global de vacinação de sarampo para crianças de 6 meses a menores de 1 ano, com o registro de 95% da população geral nessa faixa etária imunizada. O desempenho da cobertura vacinal não foi uniforme, no entanto, entre todos os estados (veja mapa).

Estão abaixo da meta de vacinação Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Em relação aos municípios, o ministério contabiliza que 34,5% (1.923 cidades) precisam reforçar os esforços para atender à meta de vacinação.

A segunda etapa da campanha de vacinação está prevista para começar em 18 de novembro. O governo federal tem expectativa de que agentes comunitários de saúde de combate às endemias façam busca ativa em residências para vacinação.

sarampo - vacinação - brasil
Divulgação/Ministério da Saúde

O foco é a população adulta. “Um novo grupo, composto por adultos de 20 a 29 anos que não estão com a caderneta de vacinação em dia terá a oportunidade de se vacinar até 30 de novembro, quando termina a campanha”, destaca nota divulgada hoje (29) em Brasília pelo ministério.

Novo boletim epidemiológico do sarampo será publicado no dia 6 de novembro e “trará como registro, dos últimos 90 dias, 5.660 casos confirmados” da doença, antecipa o Ministério da Saúde. “Dezenove estados estão na lista de transmissão ativa da doença e 90,5% dos casos confirmados estão concentrados no estado de São Paulo”.

A pasta alerta que o sarampo é uma doença infecciosa grave que pode causar a morte, especialmente de crianças. “Nos últimos 90 dias, foram confirmadas 14 mortes pela doença no Brasil, sendo sete em menores de 5 anos de idade, três na faixa etária de 20 a 29 anos e quatro em adultos maiores de 40 anos. Foram 13 óbitos registrados em São Paulo e um em Pernambuco”, detalha nota do ministério.

No total, 304 municípios (5,5% das cidades brasileiras) apresentaram casos de sarampo. O Ministério da Saúde tem expectativa que o próximo boletim assinale queda de casos recentes da doença

SINTOMAS

De acordo com informe do Ministério da Saúde, a transmissão do sarampo ocorre pelo ar, quando uma pessoa infectada tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. A única maneira prevenir a doença é pela vacina.

Há uma preocupação especial da pasta a partir do final do ano: o período de férias – que ocasiona aumento de circulação de pessoas adultas pelo país para celebrar o Natal, descansar no veraneio e brincar o carnaval.

Além disso, o aumento de chuva de verão pode elevar o número de casos de dengue. O sarampo tem alguns sintomas que podem ser confundidos com doença transmitida pelo Aedes aegypti, como febre alta, dor de cabeça e manchas vermelhas.

No caso do sarampo, é comum que a febre ocorra acompanhada de tosse e que haja irritação nos olhos, mal-estar intenso e nariz escorrendo e entupido. Um médico deverá ser consultado para o diagnóstico correto.

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Sarampo: casos aumentam no Paraná e ‘Dia D de vacinação’ acontece neste sábado

O número de casos de sarampo cresceu em todo o Paraná: são 54 novos registros da doença desde o boletim divulgado pela Secretaria de Saúde na semana passada.

Para combater esse aumento, a primeira fase da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo 2019 terá o seu Dia D neste sábado (19). Curitiba, com o maior número de casos, terá 12 postos de atendimento para as crianças receberem a vacina.

Segundo os números oficiais, são 157 ocorrências de sarampo no Paraná em 2019. Destas, 89 são de pacientes entre 20 e 29 anos.

Na capital paranaense, o número de casos de sarampo subiu para 123 confirmações. Só nesta semana, foram 43 casos – 20 deles são importados e a faixa etária de maior frequência (88%) é de 15 a 29 anos.

No total, 14 municípios têm casos confirmados. Almirante Tamandaré, Campina Grande do Sul, Campo do Tenente, Campo Largo, Colombo, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Jacarezinho, Londrina, Maringá, Pinhais, Ponta Grossa, Rolândia e São José dos Pinhais sofrem com a doença.

CAMPANHA CONTRA O SARAMPO

Curitiba - Vacinação - Sarampo - Crianças
Cesar Brustolin/SMCS

Curitiba terá atendimento a crianças de seis meses a cinco anos em 12 unidades de saúde, das 8h às 17h.

Nessa fase da campanha, o foco adotado pelo Ministério da Saúde é direcionado para o público infantil, com muitas crianças ainda sem terem sido vacinadas ou com sua situação vacinal em dia.

As crianças deverão tomar duas doses da vacina contra o sarampo, com a segundo dose sendo administrada após o primeiro ano de idade.

O Ministério da Saúde também recomendou uma dose extra para bebês entre 6 a 11 meses. Mas por ter caráter temporário, é necessário que após um ano as vacinas previstas no calendário das crianças sejam aplicadas.

IMUNIZAÇÃO

Curitiba tem registrado bons índices nas imunizações. Para as crianças de 1 ano de idade a cobertura é de 101,7% em relação à primeira dose e de 93,6% em relação à segunda dose, segundo dados coletados até o final de setembro. Nos dez anos anteriores, a cobertura ficou entre 93% e 100,4%.

Por isso, o foco do município é a vacinação dos bebês de 6 a 11 meses. De acordo com o diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Alcides Oliveira, essa recomendação de faixa etária é recente.

Até 14 de outubro deste ano, 166.176 doses de vacina contra o sarampo foram aplicadas em Curitiba. O número corresponde um aumento de 68% em relação a todo o ano de 2018 e 2,5 vezes mais que as doses realizadas em 2017.

A vacina é contraindicada para menores de 6 meses, gestantes, pacientes imunodeprimidos ou com histórico de reação alérgica grave, após dose prévia ou após contato com as substâncias que compõem a vacina. Recomenda-se também um intervalo de 30 dias após a vacina para as mulheres que desejam engravidar.

Além do Dia D da campanha, os pais ainda poderão imunizar os filhos até 25 de outubro, sempre de segunda a sexta-feira, em 110 unidades de saúde do município.

Já na segunda etapa da campanha, de 18 a 30 de novembro, o público-alvo serão os jovens adultos entre 20 a 29 anos.

De acordo com o calendário de vacinação do Ministério da Saúde, adolescentes e adultos de até 29 anos devem ter duas doses da vacina contra o sarampo, feitas após um ano de idade. Adultos de 30 a 49 anos devem ter pelo menos uma dose, feita após um ano de idade.

LOCAIS DE VACINAÇÃO NO DIA D EM CURITIBA

Distrito Sanitário Bairro Novo
Unidade de Saúde Bairro Novo (Rua Paulo Rio Branco de Macedo, 791, Sítio Cercado)
Unidade de Saúde Sambaqui (Rua Roberto Dala Barba, 44, Sítio Cercado)

Distrito Sanitário Boa Vista
Unidade de Saúde Barreirinha (Rua Santa Gemma Galgani, 353, Barreirinha)
Unidade de Saúde Bairro Alto (Rua Jornalista Alceu Chichorro, 314, Bairro Alto)

Distrito Sanitário Boqueirão
Unidade de Saúde Vila Hauer (Rua Waldemar Kost, 650, Hauer)

Distrito Sanitário Cajuru
Unidade de Saúde Cajuru (Rua Pedro Bochino, 750, Vila Oficinas)

Distrito Sanitário CIC
Unidade de Saúde Oswaldo Cruz (Rua Pedro Gusso, 3749, CIC)

Distrito Sanitário Matriz
Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho (Rua 24 de Maio, s/nº, Praça Ouvidor Pardinho)

Distrito Sanitário Pinheirinho
Unidade de Saúde Fanny Lindoia (Rua Condes dos Arcos, 295, Lindoia)

Distrito Sanitário Portão
Unidade de Saúde Vila Guaíra (Rua São Paulo, s/nº, Vila Guaíra)

Distrito Sanitário Santa Felicidade
Unidade de Saúde Campina do Siqueira (Rua Gal. Mario Tourinho, 1684, Campina do Siqueira)

Distrito Sanitário Tatuquara
Unidade de Saúde Moradias da Ordem (Rua Jovenilson Américo de Oliveira, 240, Tatuquara

Curitiba - Vacinação - Sarampo - Crianças

Curitiba imuniza crianças contra o sarampo em 12 postos neste sábado

A primeira fase da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo 2019 terá o seu Dia D neste sábado (19). Curitiba terá atendimento a crianças de seis meses a cinco anos em 12 unidades de saúde, das 8h às 17h.

Nessa fase da campanha, o foco adotado pelo Ministério da Saúde é direcionado para o público infantil, com muitas crianças ainda sem terem sido vacinadas ou com sua situação vacinal em dia.

As crianças deverão tomar duas doses da vacina contra o sarampo, com a segundo dose sendo administrada após o primeiro ano de idade.

O Ministério da Saúde também recomendou uma dose extra para bebês entre 6 a 11 meses. Mas por ter caráter temporário, é necessário que após um ano as vacinas previstas no calendário das crianças sejam aplicadas.

EM CURITIBA

A capital paranaense tem registrado bons índices nas imunizações. Para as crianças de 1 ano de idade a cobertura é de 101,7% em relação à primeira dose e de 93,6% em relação à segunda dose, segundo dados coletados até o final de setembro. Nos dez anos anteriores, a cobertura ficou entre 93% e 100,4%.

Por isso, o foco do município é a vacinação dos bebês de 6 a 11 meses. De acordo com o diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Alcides Oliveira, essa recomendação de faixa etária é recente.

Até 14 de outubro deste ano, foram aplicadas em Curitiba 166.176 doses de vacina contra o sarampo – 68% a mais que em todo ano de 2018 e 2,5 vezes a mais que as doses realizadas em 2017.

A vacina é contraindicada para menores de 6 meses, gestantes, pacientes imunodeprimidos ou com histórico de reação alérgica grave, após dose prévia ou após contato com as substâncias que compõem a vacina. Recomenda-se também um intervalo de 30 dias após a vacina para as mulheres que desejam engravidar.

Além do Dia D da campanha, os pais ainda poderão imunizar os filhos até 25 de outubro, sempre de segunda a sexta-feira, em 110 unidades de saúde do município.

Já na segunda etapa da campanha, de 18 a 30 de novembro, o público-alvo serão os jovens adultos entre 20 a 29 anos.

De acordo com o calendário de vacinação do Ministério da Saúde, adolescentes e adultos de até 29 anos devem ter duas doses da vacina contra o sarampo, feitas após um ano de idade. Adultos de 30 a 49 anos devem ter pelo menos uma dose, feita após um ano de idade.

LOCAIS DE VACINAÇÃO NO DIA D

Distrito Sanitário Bairro Novo
Unidade de Saúde Bairro Novo (Rua Paulo Rio Branco de Macedo, 791, Sítio Cercado)
Unidade de Saúde Sambaqui (Rua Roberto Dala Barba, 44, Sítio Cercado)

Distrito Sanitário Boa Vista
Unidade de Saúde Barreirinha (Rua Santa Gemma Galgani, 353, Barreirinha)
Unidade de Saúde Bairro Alto (Rua Jornalista Alceu Chichorro, 314, Bairro Alto)

Distrito Sanitário Boqueirão
Unidade de Saúde Vila Hauer (Rua Waldemar Kost, 650, Hauer)

Distrito Sanitário Cajuru
Unidade de Saúde Cajuru (Rua Pedro Bochino, 750, Vila Oficinas)

Distrito Sanitário CIC
Unidade de Saúde Oswaldo Cruz (Rua Pedro Gusso, 3749, CIC)

Distrito Sanitário Matriz
Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho (Rua 24 de Maio, s/nº, Praça Ouvidor Pardinho)

Distrito Sanitário Pinheirinho
Unidade de Saúde Fanny Lindoia (Rua Condes dos Arcos, 295, Lindoia)

Distrito Sanitário Portão
Unidade de Saúde Vila Guaíra (Rua São Paulo, s/nº, Vila Guaíra)

Distrito Sanitário Santa Felicidade
Unidade de Saúde Campina do Siqueira (Rua Gal. Mario Tourinho, 1684, Campina do Siqueira)

Distrito Sanitário Tatuquara
Unidade de Saúde Moradias da Ordem (Rua Jovenilson Américo de Oliveira, 240, Tatuquara

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Sarampo avança mais de 1.000% no Paraná em 30 dias

O Paraná já tem 103 casos confirmados de sarampo. Os dados atualizados nesta quinta-feira (10) pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná) indicam que a doença continua avançando de forma escalonada no estado. Em 30 dias, os registros avançaram 1.044%. Do dia 10 de setembro até hoje os casos confirmados de sarampo saltaram de nove para 103.

A região metropolitana de Curitiba concentra quase a totalidade das confirmações da doença. Conforme o boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira, 80 pessoas estão infectadas pelo sarampo apenas na capital paranaense. Outros 18 casos estão distribuídos em outros sete municípios da Grande Curitiba (Colombo, Pinhais, São José dos Pinhais, Campo Largo, Campina Grande do Sul, Campo do Tenente e Fazenda Rio Grande).

“Curitiba é a nossa maior cidade. Tem grande circulação de pessoas, incluindo um trânsito frequente de pessoas entre a capital paranaense e São Paulo”, explicou a coordenadora da vigilância epidemiológica da Sesa, Acácia Nasr. O estado paulista já registra mais de sete mil infectados e 12 mortes causadas pelo sarampo.

A médica responsável pelo setor de detecção e controle das doenças transmissíveis no Paraná explica que o sarampo é uma doença altamente contagiosa. Segundo ela, 90% das pessoas suscetíveis ao sarampo adoecem após o contato com o vírus Measles morbillivirus, causador da doença.

VACINA É A ÚNICA FORMA DE PREVENÇÃO AO SARAMPO

Diante do surto de Sarampo no estado do Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde reforça o apelo para que a população busque a imunização. A vacina que protege contra a doença está disponível em todas as unidades básicas de saúde. A responsabilidade pela aplicação é dos municípios, enquanto o estado assume o trabalho de distribuição das doses.

“Não há outra forma. A vacina é a única forma segura e eficaz de conter a doença”, aponta Acácia Nasr.

Pelo calendário regular estabelecido pelo governo federal, a vacina tríplice viral — que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola — deve ser aplicada aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, mais uma dose deve ser aplicada, sendo esta a tetra viral, que também protege contra a varicela (catapora).

Com o surto dos casos confirmados de sarampo em várias regiões do Brasil, o Ministério da Saúde estendeu o público-alvo para todos os bebês entre seis meses e um ano de idade.

Os adultos que não estão imunizados — ou que não tem o registro na carteira de vacinação — também deve procurar as unidades básicas de saúde. Os jovens e adultos com até 29 anos devem tomar as duas doses; os que tem entre 30 e 49 anos devem ter ao menos uma das doses registradas.

Vacinação -sarampo

Ministério da Saúde dará recurso a município que bater meta de vacinação

Como forma de incentivar a vacinação de crianças, o Ministério da Saúde vai repassar um recurso adicional aos municípios para que se organizem em campanhas.

Será concedido R$ 1 por pessoa, considerando a base populacional já utilizada a outros repasses financeiros na Atenção Primária à Saúde. Para o aporte financeiro, o órgão disponibilizou R$ 206 milhões.

O valor está condicionado ao cumprimento de duas metas. Mensalmente, os gestores deverão informar ao ministério o estoque das vacinas poliomielite, tríplice viral (que protege contra sarampo, rubéola e sarampo) e pentavalente.

Além disso, os municípios precisarão atingir pelo menos entre 90% e 95% de cobertura vacinal contra o sarampo em crianças de 1 a 5 anos de idade, com a primeira dose da vacina tríplice viral.

“O repasse será proporcional ao alcance. Se cumprir entre 90% e 95% de cobertura receberá 50% do recurso; no caso de 100% será o valor total”, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“O Brasil chega a 92% de cobertura vacinal na primeira dose e 80% na segunda. Então, nós temos 20% de crianças que não tomaram a segunda dose da tríplice viral nos últimos cinco anos. A vacina é um direito da criança”, afirma Mandetta.

Durante entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (4), em Brasília, Mandetta pediu aos pais e responsáveis que chequem a carteirinha de vacinação das crianças e levem-nas ao posto de saúde para complementação de dose, se for o caso.

Nos últimos 90 dias, o Brasil registrou 5.404 casos confirmados de sarampo. Dos casos confirmados no período, 97% (5.228) estão concentrados em 173 municípios do estado de São Paulo.

O Ministério da Saúde realizará uma campanha de vacinação contra o sarampo, em cinco etapas. Duas ocorrerão em 2019 e as outras três no próximo ano.

A primeira terá início na próxima segunda-feira (7). Até o dia 25 de outubro, as doses estarão disponíveis para crianças de entre seis meses e quatro anos, 11 meses e 29 dias. O dia D, para conscientizar sobre a importância da vacina será no sábado (19).

A segunda etapa –de 18 a 30 de novembro– contemplará a população de 20 a 29 anos, com Dia D em 30 de novembro.

Em 2020 (ainda sem data definida), serão contempladas três faixas etárias: de 5 a 19 anos, de 30 a 49 anos e de 50 a 59 anos.

vacina vacinação

Pacientes especiais têm calendário de vacinação atualizado

O Calendário de Vacinação de Pacientes Especiais, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), ganhou versão atualizada para os anos de 2019 e 2020, que será lançada oficialmente na Jornada Nacional de Imunizações.

Uma das responsáveis pelo calendário, a diretora da SBIm Mônica Levi explica que o grupo de pacientes considerados especiais vai além dos imunodeprimidos – pessoas cujas defesas do organismo estão debilitadas. Diabéticos, por exemplo, são considerados pacientes especiais pela SBIm, que recomenda, entre outras coisas, estar em dia com a imunização de gripe, pelo risco de infecção aumentado.

“Sendo diabético, o paciente deve receber vacina de gripe anualmente, porque a gripe representa risco aumentado de formas graves de gripe ou de descompensar o diabetes”, informa Mônica Levi, que cita outros exemplos. “Paciente especial não quer dizer imunodeprimido sempre. Um cardiopata, um pneumopata crônico, não é um imunodeprimido. Ele é um paciente especial porque tem risco aumentado de morrer, por exemplo, de pneumococo, de uma pneumonia. Ele tem recomendações diferentes da população normal porque a doença de base, como a do diabético, o torna mais propenso a desenvolver infecção grave e morte”.

O calendário que será lançado durante a Jornada Nacional de Imunizações já está disponível no site da SBIm . No caso dos pacientes especiais, o guia precisa ser atualizado com maior frequência que os demais, uma vez que os tratamentos e medicamentos utilizados por esses pacientes estão em constante evolução.

“O calendário dos pacientes especiais tem vida mais curta. Novas evidências, muitos resultados de estudos e muita discussão interna entre especialistas levaram às mudanças”, diz Mônica, acrescentando que as novidades do calendário não estão na descoberta de novas vacinas. “São outros enfoques para as mesmas vacinas. São mudanças em termos de orientações, reforços que foram incluídos”.

Um dos maiores desafios na elaboração do calendário foi criar uma tabela capaz de dar conta de pacientes que utilizam medicamentos que interferem na imunidade, como pessoas com doenças reumatológicas e câncer. Nesses casos, o uso de uma vacina com o vírus vivo e atenuado pode acabar causando a infecção, e o uso de uma vacina inativada, apesar de não oferecer esse risco, pode não resultar na imunização pretendida.

Um exemplo é a vacina para hepatite B. Na população em geral, ela é feita em três doses. Nos imunodeprimidos, são aplicadas quatro doses, com a quantidade dobrada de antígeno em cada uma delas. Ao final da vacinação, ainda é necessário realizar um exame de sorologia para verificar se foram produzidos os anticorpos.

Apesar de pacientes especiais muitas vezes estarem sob acompanhamento de um médico especialista, Mônica Levi lamenta que isso nem sempre significa que os calendários de vacinação estão sendo devidamente observados.

“A gente tenta se aproximar da comunidade médica e fazer esses guias em conjunto para conscientizar os profissionais a começarem a se preocupar com a proteção dos pacientes de uma maneira mais global, mas vacina é uma coisa que muitas vezes passa batida na consulta”. Ela diz que o problema inclui até mesmo vacinas disponíveis gratuitamente nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais, que acabam tendo seu serviço subutilizado.

A diretora da SBIm avalia que é preciso aumentar o destaque dado à imunização na formação médica e engajar também as sociedades de cada especialidade. Com o envelhecimento da população, a tendência é que cada vez mais pessoas sejam diagnosticadas com doenças crônicas e entrem no calendário de pacientes especiais.

“A gente está falando de uma população que tem a perspectiva de viver muito mais. Se você quer seu paciente saudável, você tem que fazer a prevenção para uma vida saudável lá na frente. E a vacina faz parte disso”.

vacina

Sociedade de Imunizações: adulto desconhece calendário de vacinas

O retorno do sarampo a regiões do Brasil, contagiando principalmente adultos, fez com que a vacina tríplice viral voltasse a entrar em evidência. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) alerta, entretanto, que a surpresa de parte da população adulta em relação à necessidade de se vacinar comprova o desconhecimento em relação ao Calendário Nacional de Vacinação. Vice-presidente da SBIm, Isabela Balalai informa que a entidade criou um grupo multidisciplinar focado em como reverter essa situação.

“Parece que está todo mundo descobrindo e entendendo como uma coisa nova que o adulto tem que se vacinar. A vacina tríplice viral está no calendário do adulto há anos, e parece novidade”, adverte ela. “Há uma questão cultural de que vacina é coisa de criança. A gente aprendeu que precisa levar as crianças ao posto e não sabe que esse é só o primeiro desafio. A população desconhece que existe um calendário de vacinação rotineiro para o adulto”.

O contágio de sarampo traz uma preocupação adicional para a SBIm, porque ele indica que existe a possibilidade de um retorno da rubéola, doença que está erradicada no país. Como a imunização contra ambas e também contra a caxumba é garantida com a mesma vacina, a tríplice viral, Isabela Balalai afirma que o avanço do sarampo indica que a imunização contra as três doenças está abaixo do ideal. “Se o vírus da rubéola entrar no país, como é a mesma vacina, o cenário pode ser o mesmo”.

Com 37 anos, a securitária Ludmilla Tosoni conta que não costuma atualizar sua caderneta de vacinação de adulto, que só recebeu quando tomou a vacina de febre amarela, há dois anos. “A vacina da gripe foi a última que tomei. É uma vacinação que acontece aqui no trabalho, em uma campanha que eles fazem. Tomo pela facilidade”, diz ela, que sabe que precisa tomar a vacina da hepatite B e que pode encontrá-la gratuitamente no posto de saúde. “A vacinação de adultos é mais displicente que a vacinação de crianças. Quando se trata de crianças, as pessoas costumam ser mais cuidadosas, mais atentas”, reconhece.

O Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde pode ser consultado na internet. Adultos devem manter em dia as imunizações de hepatite B, febre amarela, tríplice viral e dupla adulto (DT), além da pneumocócica 23 valente para grupos específicos. A SBIm tem um calendário mais amplo, que também pode ser conferido online, mas nem todas as vacinas que constam nele podem ser obtidas gratuitamente no Sistema Único de Saúde.

Isabela Balalai reconhece que a responsabilidade de comunicar o calendário de vacinação é do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações, mas acrescenta que é também dos médicos, que, na avaliação da SBIm, não vêm cumprindo esse papel como poderiam.

“Os médicos também precisam estar informados. É outro desafio. O médico que atende adultos ainda não tem na rotina dele a recomendação de vacina”, diz ela, acrescentando que uma das conclusões do grupo de trabalho foi a recomendação de investir mais na educação médica, reforçando conteúdos sobre vacinação.

Febre aftosa: mobilização histórica pelo fim da vacinação

O fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná está sacramentado. A realização de um concurso público para a contratação de profissionais para reforçar a defesa agropecuária do Estado era a última pendência a resolver para se avançar em definitivo nessa questão. No dia 28 de agosto, em Curitiba, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a Audiência Pública Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, essa espera acabou. O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, confirmou que o governador Carlos Massa Junior autorizou a realização de um concurso público que prevê 30 vagas para médicos veterinários e 50 para técnicos agrícolas. Mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas, de todas as regiões do Estado, estiveram em Curitiba para participar do evento.

Com isso, está resolvida a última pendência para que o Estado possa solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro, o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação. Posteriormente, o Mapa poderá pedir, no ano que vem, à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) o reconhecimento internacional do Paraná como território livre da doença sem imunização. Este último, caso aprovado, passará a ter validade em 2021.

“O primeiro interessado nesse avanço sanitário somos nós, produtores rurais. O segundo interessado é a indústria, que processa. Então, somos nós que temos que querer e os governos têm que dar condições para que as coisas andem bem, agir com inteligência para que possamos evoluir”, apontou Ortigara.

O secretário lembrou que, nos anos 1970 e 1980, a aftosa era comum no território paranaense e que houve um trabalho incansável para vencer a doença. “Trouxemos a zero essa enfermidade, com a estratégia adequada àquela época. Destaco todo nosso avanço, do respeito conquistado, da relação de confiança, a busca de informação, transparência, da criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná [Adapar], a constituição de barreiras, de monitoramento dos planteis. A proposta é trocar um sustentáculo, que é a vacina, por ferramentas muito mais inteligentes”, detalhou.

O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, também resgatou, durante o evento, a longa trajetória iniciada na década de 1970, para que o Paraná construísse toda sua estrutura sanitária e de defesa agropecuária. Para o presidente da FAEP, este processo foi consolidado ano a ano e não tem um único protagonista, mas é resultado de esforços coletivos, ao longo de todos os governos, com participação tanto de entidades e da iniciativa privada, quanto de entes públicos.

“Isso não foi construído só pela FAEP, mas por todos que querem o crescimento do Paraná. A história tem que ser justa e lembrada, para avançarmos sempre mais”, observou. “Ainda na década de 1980, procurei o então presidente desta Casa, Aníbal Khury, procurando apoio institucional. Falaram que este era o caminho, mas que era longo. É um caminho longo, mas temos que chegar. Quero registrar que todos fizeram a sua parte”, apontou.

O líder da Federação também celebrou o potencial econômico que devem advir com o reconhecimento internacional do Paraná, como área livre de aftosa sem vacinação. Meneguette lembrou que, hoje, a agropecuária é responsável pela geração de 53% do que se produz no Estado. Com o novo status, a expectativa é de que a importância do agronegócio se torne ainda maior.

“Acabamos de assinar um convênio com a União Europeia, onde estão 500 milhões de consumidores, mas que vão exigir a mesma qualidade e as mesmas condições de sanidade que eles têm. E nós estamos preparados, na frente dos outros Estados, para que possamos dar condição ao nosso produtor, à nossa indústria, aos nossos exportadores, para disputarmos esse novo mercado”, disse.

Por fim, Meneguette enalteceu a atuação do produtor rural, que teve participação determinante em todas as etapas da estruturação sanitária do Paraná, há mais de 40 anos. O presidente da FAEP também destacou a demonstração de civismo que os 2 mil produtores de todas as regiões do Estado tiveram, ao se deslocar por centenas de quilômetros para acompanhar a audiência pública em Curitiba.

“O governo não administra só prioridades. Administra pressão. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance”, ressaltou. “Quem carrega esse Estado somos nós, produtores rurais, trabalhadores rurais, que fazemos dia a dia o nosso dever para gerar riquezas. Eu tenho certeza de que a sociedade reconhece que precisamos continuar trabalhando para o desenvolvimento do Paraná”, definiu.

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar enfatizou a união do agronegócio, que especialmente no Paraná possui uma capacidade de agregar as mais diversas cadeias em prol de um objetivo comum. “Eu e o Ágide [Meneguette] levamos este assunto ao G7 [grupo que reúne as sete principais federações do Estado]. Todas as sete entidades assinaram um documento, que foi levado ao governador, apoiando esta medida. Não tenham dúvida de que estamos seguros. Ágide, queria agradecer a sua atuação. Acho que você puxou a frente. Só a FAEP, investiu mais de R$ 40 milhões, no que fosse necessário”, revelou.

Marcos Bambrilla, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), confirmou que assim como Ocepar e FAEP, para a entidade por ele representada esse é o momento de avançar. “Nosso segmento, da agricultura familiar, precisa desse novo status sanitário. O Paraná precisa se tornar livre de febre aftosa sem vacinação e com desenvolvimento. Hoje, temos a segurança de dizer que há décadas fazemos um trabalho sério, bem referendado, muito bem conduzido. Temos uma estrutura pronta para agir, com mecanismos eficientes, e o momento hoje requer a retirada da vacinação”, ratificou.

“Sem sanidade, terra não vale nada”

Elias Zydek, diretor da cooperativa Frimesa, enfatizou que o campo faz parte de um negócio globalizado, contexto que o Paraná pode aproveitar para vender seus produtos agrícolas e pecuários, principalmente as carnes, a outros países. “Nós devemos seguir as regras internacionais, que são cheias de nuances. São questões ambientais, de não ter passivos trabalhistas, seguir regras de bem-estar animal, da emissão de carbono, a questão dos contaminantes. Mas o mais importante entre todos os aspectos, e talvez o mais difícil, é a sanidade”, elegeu.

O dirigente refletiu sobre o bem mais precioso que qualquer produtor pode ter, a terra. O Paraná possui algumas das propriedades mais valiosas do mundo, mas para Zydek, esse valor só faz sentido se vier junto com um sistema sanitário capaz de dar garantia aos compradores internacionais. “Estamos juntos com centenas de produtores rurais, que tem suas propriedades, fizeram seus investimentos. Sabe quanto valem essas propriedades? Eu diria que não valem nada se não tivermos sanidade. É por isso que temos que andar nessa caminhada, juntos, para conquistar o maior bem de todos que é a sanidade. O mundo é uma grande competição e não adianta nós querermos estabelecer as regras. Temos que seguir as regras que estão colocadas se dele quisermos participar”, pontuou.

Elias Zydek refletiu ainda sobre o fato de os mercados mais nobres, como o Japão, pagam até 700 dólares a mais do que o Paraná recebe a cada tonelada de carne suína. “A diferença no acesso a esses mercados significa viabilidade aos negócios. Estamos vendo o cavalo encilhado passando, quanto tempo mais temos que ficar assistindo? Temos que fazer nosso dever de casa e é o que nós estamos fazendo aqui hoje”, enfatizou.

Zydek convocou a todos para participar da vigilância constante, feita no dia a dia em todos os elos da cadeia produtiva. Mas aproveitou para convocar o Estado a cumprir o seu papel. “Proteger o Paraná é dever de todos, mas cabe ao Estado gerenciar isso. Todas as entidades lideraram um processo e criamos um fundo para reformar guaritas e construir essa que faltava na divisa com São Paulo. Mas contratar fiscais é uma obrigação do Estado. Precisamos de duas coisas. Terminar com a vacinação, que já está a caminho, e que o Estado contrate as pessoas que ainda faltam para garantir aos nossos clientes compradores que aqui a sanidade está garantida”, solicitou.

Auditorias do Mapa

Ao longo de 2018, o Mapa realizou auditorias necessárias para que seja encaminhado o pedido de reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O resultado das duas auditorias foi excelente. O serviço de defesa agropecuária do Paraná foi o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que Santa Catarina, único Estado brasileiro reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação. O Paraná superou a pontuação da auditoria do Mapa em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%.

Nesses 16% dos itens analisados que ficaram abaixo da pontuação, foi gerado um plano de ação com nove itens, dos quais sete foram implantados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e outros dois precisavam ser providenciados: contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias; e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul.

No caso do posto de fiscalização, a iniciativa privada, em uma organização que teve a participação de entidades como a FAEP e o Sistema Ocepar. Orçada em R$ 1,5 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. Faltava ainda a oficialização do concurso público, o que foi anunciado pelo secretário Norberto Ortigara durante a Audiência Pública na Alep, em Curitiba, no último dia 28 de agosto.

Exemplo de civilidade

A Audiência Pública do dia 28, com o tema Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A Casa recebeu mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas de todas as regiões do Estado que viajaram a Curitiba em mais de 30 caravanas. E todos, de uma forma ou de outra, participaram do evento, seja no Plenário, Plenarinho ou em espaços adaptados com telões para que pudessem acompanhar os discursos e os debates. A mobilização histórica do campo também se consolidou como um exemplo de civilidade democrática, desde a forma de ingresso nos recintos, a postura ao longo da Audiência Pública até a saída, sempre de forma organizada e exemplar.

“Eu queria agradecer a todos os produtores que pegaram ‘busão’ e vieram aqui. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance. Estão todos de parabéns”, disse Meneguette.

Sem circulação viral, sem vacinação

A audiência pública não contou só com manifestações políticas, mas trouxe também dados técnicos que comprovam que o Paraná está pronto para o reconhecimento como área livre de aftosa sem vacinação. O gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, esmiuçou os detalhes do sistema sanitário do Estado, destacando a barreira que contará com 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Animal (PFTAs) e a modernização de laboratórios públicos que podem diagnosticar a doença.

“A vacina foi fundamental para o controle da doença. Mas ela deve ser usada quando se tem circulação viral ou quando tem risco, quando algum vizinho tem registro da doença, por exemplo. Nós temos usado vacina no Brasil sem nenhum desses dois aspectos”, apontou. “Não é natural que você continue com a vacina por tanto tempo. É o que estamos fazendo neste momento”, observou.

Para além disso, Dias atesta que o Estado conta com um avalista poderoso, o Fundepec, que dispõe de recursos – quase R$ 78 milhões – para indenizar produtores, caso seja necessário sacrificar animais em situações emergenciais sanitárias. Apesar disso, o Paraná se encontra, hoje, no mesmo bloco que outras 23 unidades da federação que mantêm estrutura sanitária inferior. Com o novo status, o território paranaense formaria um bloco único com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina – este já reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação.

“Hoje, se tiver um caso no Acre, o Paraná perde a condição de livre de aftosa com vacinação na hora, junto a todos os outros Estados”, disse.

Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar, complementou o papel importante que tem cumprido as parcerias entre iniciativa privada e poder público para obter sucesso na missão de manter o Paraná como um território sanitário robusto. “Seguindo as orientações da OIE, não faremos nada sem parceria público-privada. É um movimento muito evidente aqui no Estado. Estamos saindo buscar em termos de parceria, incluindo nossa estrutura no processo, colocando a importância de se fazer sempre o trabalho em conjunto”, contou.

Autoridades ratificam decisão de retirada da vacinação

O presidente da Alep, Ademar Traiano, classificou a audiência pública como “um marco histórico” para o Poder Legislativo e uma “conquista histórica para o Paraná”. Entre os pontos dignos de comemoração, o deputado destacou o aspecto econômico, já que o reconhecimento internacional daria acesso a mercados externos mais sofisticados, que remuneram mais pelos produtos agropecuários. Além disso, o parlamentar apontou as décadas em que o Paraná vem se dedicando a estruturar todo seu sistema de defesa agropecuária, de acordo com protocolos internacionais.

“A partir deste momento, o Paraná se torna livre, se torna independente, com um olhar do mercado internacional. Que o Paraná possa, enfim, desfraldar a bandeira de sua liberdade econômica e que nossos agropecuaristas possam ser reconhecidos pelos nossos governantes”, disse o presidente da Alep.

Deputado que propôs a realização da audiência pública, Anibelli Neto relembrou a importância de debates recentes feitos sobre o tema, como a realização do Fórum Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, que passou por seis cidades do Paraná. “A maioria das dívidas foi dirimidas ali”, resumiu. Com todas as providências tomadas, o parlamentar considera que agora é hora de o Estado “estufar o peito e ter orgulho de ser agropecuarista”.

“Este ato [a conquista do novo status], representa muito mais para a economia do Paraná do que trazer 20, 30 ou 40 empresas com isenção de ICMS. Estamos prestigiando a vocação e o povo do Paraná”, afirmou. “Representa muito na minha biografia participar deste momento, ao lado de pessoas de bem, que querem um Paraná de bem, construindo seu futuro”, ressaltou o parlamentar, que também é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Alep.

Guto Silva, chefe da Casa Civil do Paraná, ratificou o compromisso do governo com os produtores rurais de caminhar em direção a obtenção do status de livre de febre aftosa sem vacinação. “Vivemos um dia histórico. O governador fez uma escolha, não ache que não há pressão contra. Mas governar é tomar decisões e o Paraná que queremos é um Estado para todos. Não poderíamos perder essa oportunidade de avançar”, enfatizou.

Silva enumerou que a conquista vai significar melhor preço e ganhos para toda a cadeia do agronegócio, com mais emprego e renda para todos os paranaenses. “Quantos milhões de novos empregos serão gerados, qual a receita que vai entrar no bolso do produtor a partir dessa certificação? Em nome de todos, trago aqui a mensagem do governador, de que temos feito nosso papel, cortando secretarias, reduzindo custos, revisando contratos e olho firme nas contas públicas”, priorizou.

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