Com pouco público, Venezuela vence a Bolívia e garante vaga nas quartas

A Venezuela venceu a Bolívia, por 3 a 1, na tarde deste sábado (22), no Mineirão, e garantiu vaga nas quartas de final da Copa América. Os gols foram anotados por Machís (duas vezes) e Josef Martínez, enquanto os bolivianos fizeram com Justiniano.

Inspirados, mesmo diante do pouco público (apenas 11.746 pessoas estavam no estádio) os venezuelanos passearam em campo e não deixaram a Bolívia crescer.

Com cinco pontos, a Venezuela está classificada em segundo lugar no Grupo A. A equipe enfrenta o segundo colocado do grupo B, na próxima sexta-feira (28), às 16h, no Maracanã. Os venezuelanos podem enfrentar Paraguai, Argentina ou Catar. Já a Bolívia, sem nenhum ponto somado, se despede da Copa América.

O JOGO

O jogo foi bastante agitado, com chance para ambos os lados. A Venezuela foi mais fulminante e não demorou muito para movimentar o placar. Logo a um minuto de partida, Machís recebeu o cruzamento e mandou para o fundo das redes.

A Bolívia não se abateu e teve duas grandes oportunidades na primeira etapa. Aos sete, com Arano e, aos 38, com Raúl Castro. Ambos acertaram a trave para os bolivianos.

Mas a Venezuela buscava mais e, aos 44, reagiu com Savarino, que teve o chute defendido por Lampe.

Na volta do intervalo, a Bolívia retornou firme e arriscou com Arano logo aos dois minutos. Mas Fariñez defendeu.

Só que aos nove, a Venezuela tirou um pouco da pressão boliviana ao ampliar o placar. Machís recebeu a bola na esquerda, invadiu a grande área, cortou e mandou um golaço no cantinho superior.

O jogo seguiu lá e cá. Com a vantagem no placar, a Venezuela ia mantendo a posse de bola. Já a Bolívia não se deixava desanimar e diminuiu a diferença aos 36. Após uma bonita troca de passes, Justiniano ficou com a bola e mandou de primeira no cantinho de Fariñez.

Mas a tarde era mesmo venezuelana. Aos 41, Soteldo recebeu a bola na linha de fundo, passou pela marcação e cruzou. Josef Martínez, atento ao lance, cabeceou e correu para comemorar o 3 a 1.

Venezuela e Peru empatam e deixam Brasil na liderança do grupo A

Venezuela e Peru terminaram empatados em 0 a 0, neste sábado (15), pela primeira rodada da Copa América, na Arena do Grêmio. O resultado foi bom para o Brasil que fica na liderança do Grupo A com três pontos após vencer a Bolívia nesta sexta-feira (14) por 3 a 0.

A Venezuela é a adversária do Brasil, na próxima terça-feira (18), às 21h30 (de Brasília), na Arena Fonte Nova, na Bahia. Já o Peru encara a Bolívia, na mesma terça, mas às 18h30, no Maracanã.

O JOGO

A partida nem tinha começado direito e já havia polêmica. Aos seis minutos, Gonzáles pegou o rebote de Fariñez e balançou as redes. Mas, após o auxílio do VAR, o árbitro Vilmar Roldán marcou impedimento e anulou o gol peruano.

Depois disso, o duelo seguiu equilibrado, com as duas equipes criando. Aos 21 minutos, Murillo fez o cruzamento para Rondón, que arriscou, mas parou na grande defesa de Gallese.

Do lado peruano, Guerrero teve duas boas oportunidades: na primeira mandou para fora e na segunda Fariñez defendeu.

Na volta do intervalo, a Venezuela voltou empolgada. Logo a um minuto, Rondón cobrou falta no cantinho direito de Gallese, que não alcançou. Por sorte a bola saiu.

Os venezuelanos seguiram no ataque, dando bastante trabalho. Mas foi o Peru que chegou ao gol aos 17 minutos, com Farfán. Só que mais uma vez o árbitro decretou o impedimento, porque González que fez o passe estava impedido.

O Peru tinha mais posse de bola, porém a Venezuela era mais perigosa. Aos 28 minutos, os venezuelanos ficaram com  um a menos, após Mago levar o segundo amarelo e ser expulso.

Com a vantagem numérica, o Peru iniciou o bombardeio. Aos 30, Farfán chutou cruzado e a bola chegou até Flores. O camisa 20 chutou, mas Fariñez defendeu. No rebote, Polo passou a bola para Guerrero, que acertou a trave, mas estava impedido.

A pressão permaneceu até os 50 minutos, mas o placar não mudou.

Inflação na Venezuela ultrapassa 1 milhão por cento

A inflação na Venezuela ultrapassa mais de 1 milhão por cento, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Milu de Almeida, conselheira das comunidades pela Venezuela, diz que o povo que ganha um salário mínimo não consegue chegar aos produtos e dá um exemplo: “um litro de leite está em 12 mil [bolívares], e o salario mínimo é de 40 mil”.

Muitos dos comerciantes, como já não confiam no valor da moeda oficial, pedem as trocas comerciais em dólares, “o que é ilegal”, afirmou Milu.

Uma reunião conjunta está sendo realizada hoje (3) em Nova York entre o Grupo de Contato Internacional para a Venezuela e o Grupo de Lima. O objetivo do encontro é contribuir para uma solução pacífica e democrática para a crise no país.

Qualquer que seja novo governo na Venezuela, deverá dar retorno ao investimento chinês, diz Mourão

Em sua primeira viagem à China, o vice-presidente Hamilton Mourão evitou temas políticos delicados para garantir a manutenção das relações com o maior parceiro comercial do Brasil.

Quando falou sobre a crise na Venezuela, na qual Brasil e China estão em lados opostos, afirmou que um possível novo governo no país sul-americano terá de garantir aos chineses o retorno de seus investimentos. Mourão retorna a Brasília nesta segunda-feira (27), depois de seis dias na nação asiática.

“Não vejo nenhum problema com a diferença de visão sobre o que ocorre na Venezuela”, afirmou Mourão. O presidente chinês, Xi Jinping, apoia o governo de Nicolás Maduro e defende uma solução pacífica para o fim da crise no país latino-americano.

O diretor-geral do departamento de América Latina do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Bentang, afirmou que os governos da China e do Brasil têm mantido comunicação estreita sobre a questão. “Nos opomos à intervenção militar e à ingerência nos assuntos internos”, reforçou Zhao, que é ex-embaixador da China na Venezuela (2015-2017).

“As nações são soberanas para expressar suas visões. O governo brasileiro ter uma visão e a China ter outra não quer dizer que temos atrito”, disse o vice-presidente. O Brasil reconhece Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Mourão e Xi estiveram frente a frente em Pequim na sexta-feira (25).

“A China tem interesses econômicos na Venezuela. Ela investiu bastante lá. Qualquer que seja o governo eleito, terá que dar garantias ao governo chinês de que ele vai dar o retorno de seus investimentos”, ressaltou Mourão. Segundo o vice, o encontro com o líder chinês foi protocolar, e o vizinho brasileiro, que tem Pequim como principal credor, ficou de fora da conversa.

Em março, a China negou visto de entrada no país ao novo representante da Venezuela no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), forçando a instituição financeira internacional a cancelar às pressas a reunião anual marcada para a cidade chinesa de Chengdu, na província do Sichuan. Uma semana antes do ocorrido, o BID trocou o representante da Venezuela apoiado por Maduro por um nome defendido por Guaidó -decisão comemorada pelos EUA.

Enquanto o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, demonstra admiração pelo presidente americano, Donald Trump, Mourão tenta aproximação com Xi Jinping. Ele contou ter dito ao presidente chinês que ambos nasceram no mesmo dia e no mesmo ano, 1953, com apenas dois meses de diferença. Em comum, os dois têm também o signo da Cobra de Água no horóscopo chinês. A combinação do elemento “água” com o signo da Cobra só se repetiu depois dessa data em 2013, ano que Xi chegou ao poder.

Vice-ministro anuncia reabertura da fronteira entre Brasil e Venezuela

O governo venezuelano anunciou, hoje (10), a intenção de reabrir a fronteira do Brasil com a Venezuela. A medida foi anunciada pelo vice-presidente de Economia, Tareck El Aissami, que também informou que as fronteiras entre a Venezuela e Colômbia permanecerão fechadas.

Segundo o Núcleo de Policiamento e Fiscalização da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal em Roraima, até as 15 horas, o tráfego de veículos continuava retido e não havia nenhuma comunicação oficial ao órgão, que está com efetivo rotineiro a postos na BR-174.

Além de voltar a liberar o tráfego de veículos entre Pacaraima, em Roraima, e Santa Elena de Uairén, no estado de Bolívar, o governo do presidente Nicolás Maduro permitirá o livre acesso a Aruba. Outras duas ilhas venezuelanas no Caribe, Curaçao e Bonaire, bastante procuradas por turistas estrangeiros, permanecerão “fechadas”.

“A partir de hoje, ficam reestabelecidas as fronteiras com Aruba e com o Brasil”, declarou Aissami antes de completar que a Venezuela manterá fechada as fronteiras com a Colômbia, Curaçao e Bonaire até que “cessem as hostilidades, o assédio e a facilitação à entrada de grupos paramilitares para agredir ao povo venezuelano”.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, determinou que militares venezuelanos restringissem o fluxo de pedestres e veículos entre os dois países no dia 21 de fevereiro deste ano, dois dias após o governo brasileiro anunciar o envio de alimentos e remédios para a população venezuelana. Desde então, moradores de Santa Elena de Uiarén e de Pacaraima tiveram a rotina alterada. Principalmente do lado venezuelano, onde a vigilância é constante para impedir a entrada do que o Brasil classifica como ajuda humanitária.

Apesar da interrupção do trânsito de veículos, pessoas continuaram atravessando, a pé, de um lado para o outro. Principalmente os venezuelanos se aventuram por rotas alternativas à BR-174 para transitar entre os dois países, carregando alimentos e outros produtos adquiridos do lado brasileiro. Até mesmo crianças e adolescentes de Santa Elena de Uairén continuaram cruzando a fronteira para seguir frequentando aulas do lado brasileiro, onde estão matriculadas.

O fechamento da fronteira foi mais um episódio na crise política e humanitária que se instaurou na Venezuela nos últimos anos, motivando milhões de venezuelanos a deixarem o país fugindo à falta de segurança, de alimentos e de remédios e aos problemas na prestação de serviços públicos. A maioria destes imigrantes buscou refúgio na Colômbia, país que, segundo algumas estimativas, já recebeu mais de 1,2 milhão de venezuelanos.

Muitos venezuelanos vieram para o Brasil, entrando por Roraima. De acordo com o escritório brasileiro da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), até março deste ano, mais de 240 mil venezuelanos ingressaram em território brasileiro alegando fugir da instabilidade política em busca de melhores condições de vida. Quase metade deste total seguiu viagem para outros países de língua hispânica ou simplesmente retornou ao seu país natal após algum tempo. Até março, o Brasil já havia concedido refúgio ou visto de residência temporária a cerca de 160 mil venezuelanos, de acordo com a Acnur.

“Não tem o que conversar, ele não vai ceder”, diz Bolsonaro sobre Maduro

O presidente Jair Bolsonaro avaliou nesta sexta-feira (3) que o ditador Nicolás Maduro não deixará o poder na Venezuela se a Forças Armadas não foram enfraquecidas.

Em conversa com jornalistas, na saída de cerimônia de formatura de diplomatas em Brasília, ele disse esperar que a divisão iniciada na base das forças militares se estenda para os generais da cúpula, que seguem leais ao ditador.

“A gente espera que essa fissura, que está na base do Exército, vá para cima. Não tem outra maneira. Se você não enfraquecer o Exército da Venezuela, o Maduro não cai”, afirmou.

O presidente também disse que não tem o que dialogar neste momento com Maduro. Segundo ele, o que o governo brasileiro deseja, que é a sua saída do cargo, ele não atenderá.

“Não tem o que conversar com ele. O que nós queremos, no meu entender, ele não vai ceder”, disse.

Em fevereiro, Bolsonaro declarou apoio ao líder oposicionista Juan Guaidó, que iniciou movimento nesta semana para tentar derrubar o ditador.

Ao todo, quatro civis morreram em protestos contra Maduro e cerca de 200 pessoas ficaram feridas nos dois primeiros dias de protestos, segundo dados da ONG Foro Penal.

Guaidó convocou passeatas para o sábado (4). O plano é ir até os principais quartéis da Venezuela, em um novo desafio ao ditador após a frustrada rebelião militar de terça-feira (30).

Apesar disso, Bolsonaro afirmou que está mais preocupado com uma eventual vitória da senadora Cristina Kirchner nas próximas eleições presidenciais na Argentina do que o conflito interno na Venezuela.

A minha maior preocupação é com a Argentina hoje em dia”, respondeu o presidente ao ser questionado sobre a crise política na Venezuela. “Vai no limite do [Palácio do] Itamaraty”, acrescentou quando questionado sobre o que o Brasil poderia fazer.

Ele já tinha feito uma declaração semelhante na quinta-feira (2), durante entrevista ao SBT.

A sucessão presidencial na Argentina também ocupou parte do discurso de Bolsonaro aos futuros diplomatas, em cerimônia promovida no Ministério de Relações Exteriores. Sem citar nominalmente Kirchner, ele disse que a volta da ex-presidente de esquerda ao país vizinho poderia criar uma “nova Venezuela” na América do Sul.

“Além da Venezuela, a preocupação de todos nós deve voltar-se à Argentina, sobre quem poderá voltar a governar aquele país”, afirmou. “Não queremos, o mundo inteiro não quer, outra Venezuela mais ao sul do nosso continente”, acrescentou.

Em live nas redes sociais, promovido na quinta, Bolsonaro também já tinha se envolvido na sucessão eleitoral da Argentina e apelado aos eleitores do país vizinho para que não reconduzam a ex-presidente, que comandou a Argentina de 2007 a 2015.

Macri tem uma postura alinhada à de Bolsonaro, mas seu governo tem enfrentado uma crise econômica e seu desempenho em sondagem recente foi inferior ao da senadora em um eventual segundo turno. A eleição presidencial foi marcada para 27 de outubro.

Bolsonaro disse que se o governo atual não tem tido um desempenho satisfatório, é necessário ter paciência, uma vez que, na opinião dele, Macri ainda pode melhorá-lo. Em sua fala, o presidente pediu até mesmo a Deus para que Cristina não volte ao comando da Casa Rosada.

Cristina deve se sentar pela primeira vez no banco dos réus, no dia 21 de maio, em julgamento que envolve a acusação de desvio e lavagem de dinheiro público por meio dos hotéis que pertencem à família Kirchner na Patagônia.

Mesmo investigada, ela pretende concorrer ao cargo. O anúncio oficial deve acontecer no próximo dia 20, no estádio do time de futebol Racing -um dos mais tradicionais do país. Cristina pode responder ao processo, mas, se a Justiça determinar sua prisão, precisa pedir ao Congresso que retire seu foro privilegiado.

A situação econômica do país vem piorando, com aumento da inflação -que chegou a seu recorde desde 1991, com 4,7%, em março– e da pobreza, que já atinge 32% da população. Esse quadro vem debilitando as chances de reeleição de Macri.

Senadores defendem solução pacífica para crise na Venezuela

A Comissão de Relações Exteriores do Senado discutiu, nesta quinta-feira (2), o agravamento da crise na Venezuela. `Parlamentares de diversos partidos mostraram-se preocupados e defenderam uma solução pacífica para a situação.

“Manifestamos nossa profunda preocupação com os recentes acontecimentos na Venezuela. Lamentamos a morte de civis e também as dezenas de feridos. Reiteramos a nossa expectativa de uma transição democrática em um processo pacífico e de respeito aos direitos humanos. O nosso país continuará a exercer pressão diplomática nessa direção”, disse o presidente da comissão, Nelsinho Trad (PSD-MS).

Trad lembrou que esteve ontem (1) com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e que, em todas as conversas que já tiveram sobre o país vizinho, “nunca se saiu da questão da pressão diplomática, da ajuda humanitária”, que, segundo o senador, é algo que está na genética do Brasil. “Eu penso que o governo [brasileiro] agiu certo, está fazendo a sua parte, e é importante lembrar que o Brasil não age sozinho nessa questão. Estamos inseridos no Grupo de Lima, em que é discutida essa questão. Ninguém toma uma decisão sem discutir antes” destacou.

Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) classificou de ditadura o regime na Venezuela e disse que essa situação de crise deve ser esgotada pelas pressões diplomáticas sobre o país vizinho, inclusive acionando países que têm relações com ele, como o Brasil, a China e a Rússia. Randolfe destacou que são ótimas as relações entre Venezuela e Brasil.

Para o senador amapaense, os venezuelanos estão sob um “regime de exceção”. “O Brasil não pode ser porta-voz de nenhuma aventura bélica, de nenhuma aventura militar neste país vizinho, e os princípios que devem reger a solução do impasse dramático que vive o nosso vizinho devem ser o multilateralismo por parte do Brasil e a busca incessante pela paz na América Latina”, afirmou Randolfe.

Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) ressaltou que o problema na Venezuela que só vai se resolver com o restabelecimento da democracia no país, de maneira a permitir que as pessoas possam permanecer ou voltar para lá com segurança, com a garantia do direito de ir e vir. “Do lado brasileiro, a forma como o governo vem conduzindo essas tratativas, é uma forma muito tranquila, com o pé no chão, a todo momento fazendo questão de mostrar que não tem nenhum interesse em qualquer tipo de conflito bélico, armado, militar”, afirmou o senador.

Por Karine Melo –

Situação na Venezuela preocupa setor de combustíveis

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (1º) que há uma preocupação do governo com o impacto da crise da Venezuela nos preços dos combustíveis. O país é um grande produtor de petróleo e sofre com sanções econômicas e embargos de diversos países, liderados pelos Estados Unidos, à commodity.

“Uma preocupação existe sim, com essa ação e com embargos, o preço do petróleo a princípio sobe. Temos que nos preparar, dada a política da Petrobras [de seguir os preços do mercado internacional] e de não intervenção de nossa parte [do governo], mas poderemos ter um problema sério dentro do Brasil como efeito colateral do que acontece lá”, disse o presidente.

De acordo com Bolsonaro, o governo está em atenção para “nos anteciparmos a problemas de fora que venham de forma grave para dentro do Brasil”. Ele se reuniu hoje com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, para avaliar a situação política no país vizinho e os reflexos no Brasil. O encontro, no Ministério da Defesa, em Brasília, contou ainda com a presença dos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e com os comandantes das Forças Armadas.

Ao longo de terça-feira (30) foram registrados confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas ruas de Caracas e outras cidades venezuelanas, depois que o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, divulgou uma mensagem afirmando ter obtido apoio de oficiais das Forças Armadas para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder. Guaidó batizou a ação de Operação Liberdade, para livrar o país do que classificou como “a usurpação” do poder pelo grupo de Maduro.

A partir da divulgação do anúncio de Guaidó pelas redes sociais, venezuelanos contrários e favoráveis a Maduro foram às ruas. O Palácio do Planalto tem acompanhado com atenção a situação na Venezuela, mas descarta uma intervenção militar no país vizinho. “A possibilidade é próxima de zero [de intervenção]. Outros atores estão nesse circuito, Estados Unidos e Rússia. Estamos preocupados porque temos reflexos”, disse Bolsonaro.

O presidente brasileiro elogiou o ato de Guaidó e disse que há, sim, uma fissura nas forças armadas venezuelanas que apoiam o governo de Maduro. “Existe uma fissura, sim, que cada vez mais se aproxima das cúpulas das forças armadas. Então existe a possibilidade do governo ruir pelo fato de alguns da cúpula passarem para o outro lado”, disse.

Asilo e acolhimento

Na terça-feira (30), 25 militares venezuelanos de baixa patente pediram asilo na embaixada brasileira em Caracas. Segundo Bolsonaro, a concessão foi autorizada, mas eles ainda não conseguiram entrar na embaixada por causa do isolamento que militares venezuelanos fazem nas ruas da capital.

O governo brasileiro também liberou um crédito extraordinário em favor do Ministério da Defesa no valor de R$ 223,853 milhões. Os recursos são para prorrogação por mais um ano da Operação Acolhida, coordenada pelo Exército brasileiro, que atende venezuelanos na fronteira com o Brasil.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, explicou que a operação atua em três fases: o regramento da fronteira, o acolhimento em Boa Vista e Pacaraima, em Roraima, e a interiorização. Segundo ele, entretanto, há uma concentração de venezuelanos na segunda fase, de permanência em Roraima, e o governo pretende intensificar a interiorização.

Guaidó faz discurso em Caracas e promete ações diárias até a queda de Maduro

O líder opositor Juan Guaidó fez um discurso em uma rua de Caracas, para uma multidão de manifestantes, e prometeu seguir com ações diárias, até a queda de Nicolás Maduro.

“Vamos seguir na ruas até conseguir a liberdade de toda a Venezuela”, discursou, durante um protesto, no início da tarde desta quarta-feira (1º).

Guaidó também falou que há planos de convocar paralisações escalonadas para os próximos dias. “Amanhã vamos seguir a proposta que nos fizeram de paralisações escalonadas, até conseguir uma greve geral”, disse.

Bolsonaro descarta participação do Brasil em intervenção na Venezuela

O presidente Jair Bolsonaro voltou a negar que o Brasil participará de alguma intervenção militar na Venezuela, ainda que de forma indireta. Ele concedeu uma entrevista ontem à tarde (30) ao programa Brasil Urgente, apresentado pelo jornalista José Luiz Datena, na TV Band. O assunto veio à tona depois que o autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, tentou articulara tomada do poder no país vizinho, com o apoio de alguns setores militares desertores do governo de Nicolás Maduro.

“A possibilidade [de o Brasil participar de um ação militar] é próxima de zero, quase impossível. Não tivemos, até o momento, nenhum comunicado, por parte do governo americano, demonstrando que essa linha seria adotada por eles”, disse Bolsonaro. Segundo o presidente, ainda há espaço para uma solução negociada na Venezuela.

“Não é nossa tradição [intervir] e entendemos que tem muito espaço ainda para ser negociado para conseguir-se, de forma pacífica, o restabelecimento da democracia e devolver a liberdade aos nossos irmãos venezuelanos”, acrescentou.

Bolsonaro disse que, se os governo dos Estados Unidos quisesse usar parte do território brasileiro para uma intervenção armada na Venezuela, o assunto seria levado ao Conselho de Defesa Nacional.

“Ele [Donald Trump] querendo usar o território brasileiro, eu convocaria o Conselho Nacional de Defesa, ouviria todas as autoridades do conselho e tomaria uma decisão. A hipótese de participarmos, mesmo que de forma indireta, de uma intervenção armada, é muito difícil, não vou dizer que é zero, mas é próxima de zero”, ressaltou.