Com o calor, afogamentos disparam na temporada

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

A vontade de se refrescar no calor é grande, mas o perigo também. Somente no dia de Natal (25) e na segunda-feira (26) oito pessoas morreram por afogamento no Estado.

O episódio mais trágico ocorreu na região do Alagado do (rio) Iguaçu, em Candói, região central do Paraná. No fim da tarde de segunda, uma adolescente estava se afogando e cinco pessoas tentaram salvá-la – apenas uma foi resgatada com vida. Duas adolescentes de 15 e 16 anos, uma jovem de 21 e dois rapazes de 18 e 19 anos morreram no local. Os corpos dos homens só foram encontrados no fim da tarde de ontem.

Poucas horas antes de acharem os corpos, o soldado Lima do grupamento dos Bombeiros em Guarapuava, que dá apoio ao oficiais de Candói, alertou: “A chance de estarem com vida é quase nula”. Em alguns pontos, a profundidade na represa chega a cinco metros.

Um dia antes, no domingo, três homens morreram – um no litoral e dois na RMC: um de 50 anos em Guaratuba, outro de 20 na região do Ribeirão do Tigre, em Campina grande do Sul, e um adolescente de 15, na região do Rio do Poço, em Quitandinha.

Infelizmente, os casos mais recentes são comuns nesta época do ano. Dezembro e janeiro, por causa do calor e das férias, concentram a maioria das ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros. Somente nestes dois meses acontecem mais de 70% dos resgates.

As estatísticas, entretanto, não contabilizam casos como boa parte dos citados na matéria, quando a pessoa morre antes do resgate chegar – comum em rios, represas e cavas, onde não existe presença de guarda-vidas.

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Recomendações para evitar afogamento

A recomendação do Corpo de Bombeiros é não entrar na água nos locais onde não há presença da corporação.

“Por que eu não coloco bombeiros em represas ou cavas então? Porque não é seguro. Não podemos colocar e passar a mensagem: entre que estamos cuidando, pois não conseguimos dar garantia. As cavas, por exemplo, são muito irregulares, com detritos e, por isso, locais muito perigosos”, disse a tenente Virgínia Turra, porta-voz do Corpo de Bombeiros no ‘Verão Paraná 2016/2017’.

Durante os mais de 70 dias da operação Verão, os bombeiro estarão presentes em balneários de rios da costas Oeste/Sudoeste/Noroeste e no litoral no Estado, onde 661 profissionais já estão em 89 postos. Destes, 88 são nas praias e um em rio, na região de Porto de Cima, em Morretes.

Segundo a tenente, a primeira coisa a se fazer quando uma pessoa está se afogando é chamar um guarda-vida, ou na ausência de um, ligar 193. “Peça auxílio, se quiser ajudar tente alcan- çar algum objeto flutuante para a pessoa como uma boia, prancha ou pedaço de isopor. É muito importante não entrar na água para passar o objeto ou até mesmo tentar salvá-la, porque a pessoa pode se tornar uma vítima também [como aconteceu em Candói]”, alertou.

Depois de recordes, calor dá leve trégua

Após os dois dias mais quentes do ano, com temperatura recorde na capital (33,4ºC tanto ontem quanto na segunda-feira) o calor perde um pouco da força até a virada do ano. De hoje até sábado, a temperatura máxima está prevista para os 28ºC.

“Uma frente fria, a nebulosidade e as pancadas de chuvas são os fatores responsáveis pela leve queda na máxima”, disse o meteorologista do Simepar, Paulo Barbieri, que não descarta que os termômetros possam chegar na casa dos 30ºC em algum momento. A mínima fica em 18ºC.

Já nas praias, a temperatura deve variar entre 23ºC e 31ºC, também um pouco abaixo dos últimos dias. Ontem, em Antonina – onde é um pouco mais quente – os termômetros registram quase 40ºC.

A ocorrência de temporais também é possível nos próximos dias em boa parte do Estado (menos Norte). Ontem o vento alcançou 86,7 km/h em Guaratuba.

 

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