Em teatro lotado, Fernanda Montenegro remonta a trajetória de Nelson Rodrigues

Fernando Garcel com Roger PereiraA maior atriz do Brasil lendo a autobiografia do maior dramaturgo do Brasil. Foi assim ..

Fernando Garcel - 29 de março de 2017, 14:03

Fernando Garcel com Roger Pereira

A maior atriz do Brasil lendo a autobiografia do maior dramaturgo do Brasil. Foi assim que foi aberta, nesta terça-feira (28), a 26ª edição do Festival de Teatro de Curitiba. Deixando claro que a obra de qualquer artista independe de sua posição ideológica, Fernanda Montenegro apresentou aos convidados que lotaram o Teatro Guaíra "Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo", destacando como um dos maiores escritores da história do país foi rejeitado por anos por uma elite intelectual que recusava-se a reconhecer sua genialidade.

Após a leitura da obra, um compilado de textos inéditos do escritor brasileiro apontado pela crítica como um dos maiores dramaturgos do país que remontam a sua história desde a infância até a fama, a dama do teatro brasileiro se emocionou ao explicar que aquela foi a primeira vez que o texto era lido para uma platéia tão grande. "Eu tenho a impressão que eu deixo um pouco dele

Festival de Teatro de Curitiba

Ao todo, são cerca de 350 espetáculos em cartaz até o dia 9 de abril em mais de 70 espaços da cidade, para todas as idades, horários e bolsos. É um motivo e tanto para ninguém poder dizer que não tem dinheiro para ir ao teatro, já que algumas das peças são de graça.

A limitação de patrocínios, como a saída da Prefeitura de Curitiba, e a polêmica com a Lei Rouanet não impediram que o Festival continuasse grande e crescesse ainda mais em 2017. Pelo segundo ano consecutivo, a curadoria do evento é feita pelo ator e diretor Guilherme Weber e pelo diretor Marcio Abreu, que usaram a frase “Só me interessa o que não é meu” como mote desta edição. O manifesto antropofágico de Oswald de Andrade sugere o convívio entre as diferenças, o que explica também a longevidade do Festival. “Manter um evento deste porte por 26 anos é um ato de resistência que sobreviveu a diferentes governos e gestões municipais”, salienta Weber, um curitibano que tem o teatro correndo nas veias.