Festival tem espetáculos para o público pagar quanto quiser

Francielly Azevedo


Já pensou em pagar quanto quiser por uma peça de teatro? Essa é uma das possibilidades do 26º Festival de Teatro de Curitiba. A iniciativa batizada de “Pague Quanto Vale” foi idealizada pela Companhia Ave Lola Espaço de Criação e se espalhou pela capital. Das 300 peças do evento, 41 são neste sistema.

A ideia de acordo com a diretora da Ave Lola, Ana Rosa Tezza, é possibilitar que mais pessoas tenham acesso à cultura. Além disso, ela explica que é um caminho de conscientização para que o público entenda a importância da arte. “Numa sociedade em que tudo é material você está falando para o público: quanto vale aquilo que você não leva pra casa, mas que você leva dentro de você?”, ressalta.

Ana diz que o espaço é democrático, pessoas sem condições de contribuir com dinheiro também são bem-vindas nesses espetáculos. “A gente faz as pessoas entenderem que algumas pessoas não vão pagar nada ou quase nada. Já outras pessoas vão pagar o dobro, então elas passam a viabilizar que pessoas que não têm condições venham ao teatro. Isso é lindo”, completa.

 

As coincidências do teatro

Mesmo tendo valores “simbólicos”, a luta pelo público é constante. Muitos espetáculos carecem de plateia e sobrevivem apenas do amor pela arte.

A falta de pessoas para assistir às peças gera até uma brincadeira entre o elenco. “A gente sempre brinca, quando tem pouco público, quando vai chegando a hora da peça, a gente fala: não se preocupe que vai parar um ônibus aqui na frente, vai lotar o teatro”, explica Ana.

E, por coincidência, foi exatamente isso que aconteceu na última sexta-feira (31), enquanto nossa equipe de reportagem gravava a entrevista com Ana. Um ônibus, vindo de Passo Fundo (RS), estacionou em frente ao teatro com mais de 30 pessoas.

Foto: Francielly Azevedo - Paraná Portal
Foto: Francielly Azevedo – Paraná Portal

Felipe Lemos, é professor de artes cênicas e contou que o grupo também trabalha com teatro. Eles juntaram dinheiro conquistado com a arte, especialmente para conhecer o Festival de Teatro de Curitiba. “A gente tinha esse anseio de conhecer a mostra de Curitiba, que é bastante conhecida no país”, destacou.

 

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O Malefício da Mariposa

Uma peça repleta de amor. No estilo tragicomédia, “O Malefício da Mariposa” convida o público a pensar sobre a importância dos sentimentos e mexe com o imaginário do espectador, misturando bonecos e atores de carne e osso.

O texto foi escrito na década de 1920 pelo poeta e dramaturgo espanhol Frederico García Lorca e adaptado pela Companhia Ave Lola. O espetáculo bilíngue (espanhol e português) narra a vida de insetos em um jardim que, assim como os seres humanos, têm suas decisões baseadas nas relações amorosas. Besouros, escorpiões, formigas, baratas e mariposas se unem para contar a fábula para todas as idades.

Curianito é o personagem central da história, que por imposição da mãe precisa casar-se com Silvia. Ela é apaixonada por ele desde a infância. Mas, Curianito diz não ama-la e segue em busca de um sentimento puro que invada seu coração. Até que o jovem conhece uma Mariposa e se apaixona. Só que a angustia de Curianito não está resolvida, porque a Mariposa não pode ama-lo.

Os mesmos personagens são vividos hora por bonecos e hora por atores. A magia da narrativa envolve do início ao fim. A peça já circulou o Brasil e foi grande vencedora do Troféu Gralha Azul de 2012, com sete indicações e cinco troféus. “A gente rodou o Brasil inteiro, de norte a sul. Comunidades ribeirinhas do amazonas, rio de janeiro e locais em que arte precisava conversar com o coração das pessoas. A recepção do espetáculo é sempre maravilhosa”, conta Ana.

 

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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