Fim de semana teve três acidentes com trens em Curitiba

Francielly Azevedo - CBN Curitiba

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Curitiba registrou três acidentes com trens durante o fim de semana. As ocorrências, em trechos urbanos da cidade, deixaram um morto e três feridos, sendo uma criança em estado grave.

Na madrugada de sábado (12), um homem, de 38 anos, morreu após o carro em que ele estava ser atingido no bairro Cajuru. Além dele, uma mulher que estava como passageira do carro ficou ferida.

Ainda no sábado à tarde, um menino de seis anos ficou ferido ao ser atropelado por um trem no bairro Uberaba enquanto soltava pipa na linha férrea. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ele teve ferimentos graves nas mãos e em uma das pernas.

O terceiro registro ocorreu na madrugada de domingo (13). Uma mulher, de 32 anos, ficou em estado grave após ser atropelada por um trem, no Cajuru. A vítima caminhava pelos trilhos com fone de ouvido.

O arquiteto e urbanista Carlos Hardt, especialista em gestão urbana, afirma que os acidentes ocorrem porque a infraestrutura da cidade não comporta as locomotivas.

“Os trens que passam em Curitiba são trens que não tem o mínimo de compatibilidade com os fluxos urbanos que nós temos aqui. São trens de carga que tem uma dificuldade muito grande na sua frenagem e nas suas manobras. A própria infraestrutura viária que nós temos não é apropriada na relação com a ferrovia e a via urbana para o automóvel e evidentemente com o pedestre”, disse Carlos Hardt.

Segundo o professor, a solução para minimizar os impactos e evitar acidentes seria excluir a linha férrea do meio urbano.

“Poderiam ser minimizadas, não totalmente evitadas. Investimentos e melhorias nesses entroncamentos poderiam diminuir muito esse risco”, afirma o professor.

Há anos, a retirada do trem da cidade é debatida por vereadores na Câmara Municipal de Curitiba. Mas, até hoje, nada foi definido.

Hardt acredita que é necessário o desenvolvimento de projetos, mesmo que ainda não exista recurso suficiente.

“Não se estão desenvolvendo projetos para que quando houver a disponibilidade de recursos já se saiba o que fazer. Então simplesmente pelo fato de não ter recursos, não se estuda. Isso se refere à ferrovia e ao transporte de alta capacidade em Curitiba, como o metrô, por exemplo”, afirma.

Em nota, a Rumo, responsável pelos trens que circulam por Curitiba, informou que conforme as leis do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a linha férrea é sempre preferencial. Sendo assim, é obrigatório que os veículos parem em uma distância segura e se certifiquem de que não há trens se aproximando antes de efetuar o cruzamento.

A empresa também alerta que é expressamente proibido caminhar sobre os trilhos e circular em área operacional da ferrovia. A concessionária orienta os pedestres que a travessia na linha só deve ser feita nas passagens oficiais, com atenção redobrada à sinalização visual e à sonora.

De acordo com a Rumo, o indicado é manter distância segura dos trens, parados ou em movimento. Campanhas de segurança e conscientização são feitas regularmente para alertar a população sobre os cuidados com o trem.

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