Atleta cria da base do Athletico vira artilheiro do Campeonato Paraguaio

Redação

Francisco da Costa Athletico futebol paraguaio

Francisco da Costa, um dos destaques do futebol paraguaio, é um brasileiro que se abriu para o futebol latino. Cria da base do Athletico Paranaense e com passagens pela base da dupla grenal e pelo Operário Ferroviário, o gaúcho de 26 anos saiu cedo do Brasil para um destino, ainda, pouco comum: o México. Chegou na terceira divisão e, aos poucos, galgou seu espaço até a primeira divisão, quando defendeu o Querétaro, time onde Ronaldinho Gaúcho jogou em 2014 de 2015. No Brasil, Tombense(Minas Gerais) e São José(Rio Grande do Sul) também fizeram parte da carreira do atleta, mas já na fase profissional.

Atualmente, Francisco da Costa está no Sol de América e é o artilheiro da primeira divisão do Campeonato Paraguaio, com 8 gols marcados. Ao todo são 12 participações para gols em 14 jogos disputados, sendo 9 gols e 3 assistências. Surgiu como um fenômeno brasileiro em terras latinas e criou certa curiosidade ao povo paraguaio sobre quem seria aquele novo “brazuca” no país. O atacante falou sobre sua adaptação e sobre seu trabalho mental para se tornar mais profissional.

“Vivo um momento especial na minha carreira. Eu cheguei aqui no Sol com um foco muito maior do que eu estava tendo no México e estou colhendo o fruto de um trabalho que venho fazendo desde a minha cirurgia no ombro, há um ano. Foi isso que me fez virar a chave, me tornar muito mais profissional e focado no futebol com mais seriedade. Eu vinha fazendo as coisas bem desde Querétaro, mas, infelizmente, lá as coisas não aconteceram como eu queria e aqui eu estou conseguindo colher os frutos de muito trabalho e foco, o que me deixa tranquilo e em paz comigo mesmo”, declarou Francisco da Costa.

Após tantas mudanças de país, algo além do futebol impulsiona o brasileiro em seus desafios e busca pelos objetivos: a troca de culturas. Isso fica mais claro ainda pela semelhança nas culturas latinas, pela linguagem semelhante e alguns costumes parecidos por conta do desenvolvimento da América Latina após a colonização e independência dos países. Mesmo assim, é normal passar por algumas dificuldades na adaptação e o brasileiro explicou como lidou com isso.

“Eu posso falar sobre a minha experiência no futebol internacional muito mais como pessoa, até porque eu me tornei muito mais forte como ser humano, sempre aprendendo muito com outras culturas. Um exemplo disso é o México, que é um país muito turístico, o que fez com que eu conhecesse pessoas de todos os lugares, com costumes e culturas diferentes e não só os mexicanos. Então isso faz com que você amadureça mais rápido. Sobre a minha adaptação no Paraguai, o México foi muito importante neste processo, até pelo idioma, pois eu cheguei aqui já dominando. Além disso, você chega no México achando que vai ser igual o Brasil por ter povos e culturas parecidas, mas a verdade é que cada país te exige algo e é sua função interpretar isso. Por isso, já cheguei no Paraguai atento a tudo que aprendi no México e foi mais fácil a adaptação”, disse o atacante.

Mesmo o futebol latino estando em crescimento exponencial nos últimos anos, o sonho dos jogadores brasileiros ao sair das categorias de base segue sendo a Europa. Isso porque é lá que estão os melhores e milionários times do mundo. Entretanto, para Francisco da Costa o futebol da América Latina ainda é um destino interessante para os brasileiros, principalmente para aqueles que estão em divisões inferiores como as Séries C e D. O atacante falou sobre a importância de entender o momento certo de sair do Brasil e abraçar novas oportunidades e desafios.

“É raro ver os brasileiros atuando fora do Brasil na América Latina, porque nós temos uma zona de conforto de querer ficar no Brasil e crescer no futebol do nosso país. Se eu pudesse dar um conselho para os jogadores brasileiros seria: saiam do país quando acharem que é o momento certo. Chega em um ponto que não é mais sua qualidade ou seu mérito que faz com que você esteja jogando em qualquer uma das divisões acima. Nosso país tem muitos jogadores para pouca vaga e isso complica o processo de todos”, disse Francisco da Costa.

“Nós temos mais ou menos 40 clubes de elite e às vezes, pelo menos financeiramente, não vale a pena ficar no Brasil jogando uma Série B ganhando a mesma coisa que no exterior e não se destacando. Ou jogar uma Série C, ou D e não ganhar um dinheiro que dê para investir em outros projetos. Eu tenho analisado muito a Série C e tem muitos jogadores que possuem qualidade para jogar uma primeira divisão no México, ou até no Brasil, mas acabam não jogando por outros fatores. O mercado tem pouca vaga para muito jogador, então eu entendi que era mais saudável ir para o exterior porque eles olham para o brasileiro com admiração e respeito. Então acho importante os nosso jogadores não buscarem apenas a Europa, mas também o futebol latino”, finalizou o brasileiro.

Adaptado e vivendo uma lua de mel com a bola de futebol na temporada 2021, Francisco da Costa já sabe a próxima partida que poderá balançar as redes pelo Sol de América: domingo, às 20h30(BRA), contra o Cerro Porteño, pela 15ª rodada do Clausura. O Sol de América ocupa a 3ª colocação dentre os 10 competidores, com 22 pontos.

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