Moda, turismo e cultura no futuro Palácio da Seda, em Curitiba

Redação

Casa Andrade Muricy, na esquina da Rua Saldanha Marinho com a Alameda Dr. Muricy, na região Central de Curitiba, vai ajudar a promover a seda paranaense, referência nacional e internacional
Palácio da Seda na Casa Andrade Muricy

O governo do Paraná anunciou nesta quinta-feira (22) que vai criar um polo agregador de moda, turismo e cultura aliado ao estímulo à produção da seda. O estado responde por 83% de toda a produção nacional do fio. O governador Ratinho Junio, que está em viagem ao México, disse, em participação virtual no I Congresso Internacional da Associação Brasileira da Seda (Abraseda) e 37º Encontro Estadual de Sericicultura, que a Casa Andrade Muricy, no centro de Curitiba, vai abrigar do Palácio da Seda. As informações foram divulgadas pela Agência Estadual de Notícias.

Segundo o governo, o projeto do futuro Palácio da Seda está em fase final de elaboração. “A cultura da seda dá ao Paraná um lugar privilegiado por produzir o fio com maior qualidade do mundo. Vamos instalar o Palácio da Seda em um prédio histórico de Curitiba com o objetivo de transformá-lo em referência internacional. Vai representar o potencial e a liderança do Paraná na produção da seda”, afirmou Ratinho Junior. “O projeto já está em fase bem avançada. Queremos começar a reforma nos próximos meses”, disse o governador.

Ainda não há uma previsão definitiva do quanto será investido na transformação da Casa Andrade Muricy no futuro espaço cultural. Segundo o governador, isso depende ainda da conclusão do projeto.

O Palácio da Seda vai se somar a outras instituições culturais doestado. Pelo projeto,  será um local de encontros e visitação para a população e turistas. “Vamos unir cultura e turismo em um único lugar, atraindo mais gente para conhecer o Paraná e, claro, a representatividade da nossa seda”, afirmou o vice-governador, Darcy Piana.

“Além disso, o fio da seda produzido no Brasil tem alta qualidade, abastecendo o mercado de luxo europeu. Nada mais justo que tenhamos um espaço dedicado a essa cultura milenar, fazendo a relação entre o campo, onde tudo começa, e a transformação desse fio em obras de arte, roupas, objetos e acessórios extremamente interessantes e sustentáveis”, disse a superintendente-geral da Cultura no Estado, Luciana Casagrande Pereira.

 

 

Conheça a Casa Andrade Muricy, que vai abrigar o Palácio da Seda

 

Segundo a notícias divulgada pela AEN, a Casa Andrade Muricy foi construída entre 1923 e 1926, em estilo eclético. Sede de vários órgãos públicos no decorrer dos anos, foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná, em 1977. O imóvel leva nome do escritor curitibano José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984), neto do médico baiano Dr. Muricy, que batiza a Alameda onde se situa o edifício.

O local fica em anexo à Superintendência da Cultura do Paraná e estava há alguns anos desativado. “É a seda colaborando com o desenvolvimento da cultura e do turismo”, destacou a presidente da Abraseda, Renata Amano.

De acordo com dados da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná conta com mais de 1,8 mil produtores de casulo de seda em 176 municípios, que ocupam 4.700 hectares de plantação de amoreiras (que são alimentos para os bichos). São 2,2 mil toneladas produzidas anualmente, o que representa 83% de toda a seda do País. 96% do material foi para exportação, especialmente para a Europa.

O Norte e Noroeste são as regiões que mais se destacam. Nova Esperança é a maior produtora, seguida por Astorga, Diamante do Sul, Cândido de Abreu e Jardim Alegre. “A atividade permite ao pequeno agricultor ficar no campo, gerar renda. E a seda paranaense ganhar o mundo”, disse o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. “Caiu no gosto das principais grifes do mundo da moda”.

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A sericicultura gera perto de 8 mil empregos diretos e indiretos, sendo particularmente atraente para pequenas áreas, entre 2 e 5 hectares. O bicho-da-seda se alimenta da folha da amoreira, uma cultura limpa que utiliza preferencialmente adubo orgânico.

 

UEL desenvolve projeto de estímulo à produção da seda

Como forma de estimular o setor, o Governo do Estado, por meio da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desenvolve o projeto Seda Brasil o Fio que Transforma, composto por professores de várias áreas e que busca fomentar uma rede econômica e produtiva, com o intuito de incentivar novos empreendedores para o desenvolvimento da cadeia da seda de forma sustentável.

O programa é financiado com recursos do estado. Em maio foram anunciados R$ 339 mil para a fase 2. O investimento apoiará bolsas de estudo e custeio (equipamentos, viagens e sequenciamento genético).

O projeto existe desde 2016 e reúne pesquisadores de diversas áreas (Design, Biologia, Química e Zootecnia). Busca melhorar a qualidade da seda e ampliar a quantidade de produtores, a partir do entendimento genético do bicho-da-seda e do produto final; a possibilidade de produzir entressafra, no inverno; o uso medicinal para tratar feridas crônicas e queimaduras; e a ampliação das áreas livres de defensivos agrícolas. A primeira fase da ação contou com investimento de R$ 300 mil.

“A universidade tem como um dos objetivos desenvolver a comunidade em que está inserida. Por meio da pesquisa científica, podemos colaborar com a região e com a cadeia da seda”, afirmou o reitor da UEL, Sérgio Carvalho.

 

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