Família de embaixador da Ucrânia do Brasil, que mora em Curitiba, relata revolta

Rostyslav Tronenko, embaixador da Ucrânia do Brasil, acompanha dois jornalistas que trabalham na zona de conflito com a Rússia

Redação - Lorena Pelanda - BandNews FM Curitiba - 25 de fevereiro de 2022, 11:34

Reprodução/Embaixatriz Fabiana Tronenko
Reprodução/Embaixatriz Fabiana Tronenko

A família do embaixador da Ucrânia do Brasil, Rostyslav Tronenko é de Curitiba. O embaixador está na zona de conflito com a Rússia. Ele acompanha dois jornalistas que trabalham na região e comunicou a família momentos após os primeiros ataques. A informação é da BandNews Curitiba.

Fabiana Tronenko é curitibana e esposa do embaixador. A embaixatriz diz que o marido não tem como retornar ao país e está com medo. "Quando finalmente atendi [o telefone] ele me disse 'amor infelizmente começaram a bombardear tudo. Estou um pouco assustado, com medo, mas eu não quero que você fique preocupada porque a gente aqui vai dar um jeito'". 

A curitibana conta que Rostyslav Tronenko é muito resposável e ficou lá para acompanhar os jornalistas, porque sabia que se deixasse os dois, eles não saberiam nem para onde correr. O sentimento dos familiares é de tristeza e revolta. 

"É revoltante você ver a Rússia varrer o seu exército para dentro da Ucrânia em uma uma guerra unilateral, porque até então o Governo Ucraniano fez de tudo para evitar qualquer tipo de confronto. A diplomacia ucraniana deu o seu melhor, buscou apoio, buscou ajuda, mas infelizmente isso não foi o suficiente para parar esse inimigo", detalhou Fabiana.

O ucraniano Vladimir Borodin mora no Brasil, mas está com a esposa e o filho de três anos na região de Kiev e, por conta da pandemia, só conseguiu marcar a viagem de retorno para a próxima semana. Diante dos conflitos, ele ainda não sabe o que vai acontecer. "Estou morando em uma cidade perto da Capital, fica há mais ou menos 65 quilômetros...uma cidade com 40 mil habitantes", detalhou. 

GUERRA NA UCRÂNIA: SEGUNDO DIA

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, informou na noite de ontem, sexta-feira (25), que os ataques da Rússia já causaram a morte de 137 ucranianos e deixaram outros 316 feridos. "As forças de sabotagem do inimigo já entraram na capital. Eu e minha família estamos permanecendo. De acordo com as informações que temos, o inimigo me marcou como alvo número 1 e minha família como alvo número 2. Só saio daqui morto", detalhou Zelensky. 

Neste segundo dia de guerra na Ucrânia, as tropas russas estão próximas de entrar em Kiev, durante a madrugada [horário de Brasília] foi possível escutar sirene e explosões na capital. As autoridades ucranianas informaram que esperam pelo "dia mais difícil de guerra" hoje. 

Uma ponte, que fica a caminho de Kiev, foi explodida pelo exército ucraniano em uma tentativa de impedir que as tropas russas avancem no país. Anton  Herashchenko, assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, disse que as forças estão prontas para a defesa com mísseis antitanque fornecidos por aliados estrangeiros. 

Em contrapartida, Vladimir Putin ordenou que o exército russo invadisse completamente o país vizinho por terra, ar e mar. As forças armadas já conseguiram bloquear a entrada da cidade pela região oeste, de acordo com a agência russa Tass. Além disso, os russos afirmam ter controlado o aeroporto militar de Hostomel, que fica próximo de Kiev. 

Após novo apelo do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a Rússia estaria disposta a negociar um acordo de paz. De acordo com a agência russa RIA, uma delegação de negociadores, que inclui os ministros da Defesa e de Relações Exteriores, estaria pronta para ir a Minsk, em Belarus. 

"Estamos prontos para negociações, a qualquer momento, assim que as forças armadas ucranianas ouvirem nosso chamado e soltarem suas armas", disse o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov. Contudo, as condições russas para as negociações seriam os ucranianos abaixarem as armas, o que levaria à morte do presidente ucraniano e de outras figuras do país.