Ernesto Araújo se refere a invasores do Congresso dos EUA como ‘cidadãos de bem’

Ricardo Della Coletta - Folhapress e Daniel Carvalho - Folhapress


O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, referiu-se nesta quinta-feira (7) aos invasores do Congresso americano como “cidadãos de bem” e sugeriu que é preciso “investigar se houve participação de elementos infiltrados” no episódio registrado em Washington na quarta (6).

Centenas de apoiadores do presidente Donald Trump, insuflados pelo republicano, marcharam rumo ao Capitólio, sede do Legislativo dos EUA, e invadiram o edifício, num tumulto que teve conflito com agentes de segurança e que resultou em quatro mortes.

O alvo dos manifestantes era a sessão conjunta do Congresso para certificar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições de novembro, quando o atual líder americano foi derrotado.

Ernesto abriu sua mensagem no Twitter lamentando e condenando a invasão e em seguida publicou declarações que mostram simpatia ao grupo pró-Trump que entrou no Capitólio, ao afirmar que é preciso reconhecer que grande parte do povo americano se sente “agredida e traída por sua classe política e desconfia do processo eleitoral”.

Assim, ele faz eco às declarações de Bolsonaro, que na quarta-feira disse ter notícias de que houve muita fraude no pleito que culminou com a derrota de Trump. Não há provas da existência de irregularidades, e a campanha do republicano já foi derrotada em mais de 60 ações judiciais que questionavam a legitimidade das eleições.

“Há que distinguir ‘processo eleitoral’ e ‘democracia’. Duvidar da idoneidade de um processo eleitoral não significa rejeitar a democracia. Ao contrário, uma democracia saudável requer, como condição essencial, a confiança da população na idoneidade do processo eleitoral”, continuou Ernesto.
Em outro trecho, o chanceler afirma que é preciso parar de chamar de “‘fascistas’ a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições”.

“Deslegitimar o povo na rua e nas redes só serve para manter estruturas de poder não democráticas e seus circuitos de interesse”, acrescentou o ministro.

Ele concluiu a mensagem reafirmando que “nada justifica uma invasão como a ocorrida ontem”, mas fez outra ressalva: “Nada justifica, numa democracia, o desrespeito ao povo por parte das instituições ou daqueles que as controlam”.

“O direito do povo de exigir o bom funcionamento de suas instituições é sagrado. Que os fatos de ontem em Washington não sirvam de pretexto, nos EUA ou em qualquer país, para colocar qualquer instituição acima do escrutínio popular”, escreveu.

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