Coritiba: diretoria fala sobre problemas financeiros, mas promete reforços

Pedro Melo

Coritiba entrevista diretoria

A diretoria do Coritiba concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (07) para explicar o planejamento do clube após a morte de Renato Follador. Estiveram presentes o presidente Juarez Moraes e Silva e os dois vices Glenn Stenger e Jair Juarez e Silva. Entre os assuntos abordados estão as dificuldades financeiras, a necessidade de reforços para a sequência da Série B, o trabalho do técnico Gustavo Morínigo e a ausência do projeto de futebol feminino.

DIFICULDADE NOS PRIMEIROS SEIS MESES DE GESTÃO

A gestão da ‘Coritiba Ideal’ completou seis meses a frente do clube e já encontrou diversas dificuldades. De acordo com o presidente Juarez Moraes e Silva, os dois principais desafios são acabar com a politização e a reestruturação. “Se pensar em uma pirâmide de desafios, o primeiro deles é a politização do Coritiba. O clube é composto por várias correntes políticas e quero aproveitar para estender a mãos. Que a gente não tenha mais correntes políticas antes das eleições. Uma vez feita a eleição de uma chapa, a diretoria é de todos. Vamos a partir de hoje procurar cada um dos ex-presidentes dos Conselhos Administrativo e Deliberativo do Coritiba para somar conosco. Que sejamos um só Coritiba. Nessa pirâmide desafios esse é o primeiro e vamos procurar as lideranças para que componha um fórum para soluções para o Coritiba ser um grande novamente na Série A e não voltar mais à segunda”, comentou.

“O segundo, também complexo, é o que chamamos de revolução. É a reestruturação econômica, financeira, operacional e da própria dívida do clube. Isso está sendo tratado de forma absolutamente determinante e com um trabalho incansável pela nossa equipe de colaboradores e com a vinda de uma maiores empresas de reestruturação administrativa e financeiramente do mundo que é a Alvarez & Marçal. Trabalhando em receitas potenciais para aumentá-las e em todas as linhas de custo para reduzi-las, sem perder a competitividade em campo para subir à Série A. Sem dúvida alguma, o Coritiba tem a sua maior fortaleza na sua torcida. Esses torcedores serão o grande alavancador da nossa reestruturação, seja nos planos de sócios ou contribuições dentro da capacidade financeira de cada um”, acrescentou o presidente.

MUDANÇAS DE DIRETORES

Após a saída de José Carlos Brunoro, Fred Luz, ex-Flamengo, assumiu como diretor executivo até a contratação de um novo profissional. Glenn Stenger ressaltou a importância do profissional da empresa Alvarez & Marçal para o projeto do Coritiba. “Quando fizemos a nota colocando o Fred Luz a frente do processo do Coritiba, nós falamos que a passagem será temporária. O Fred não é diretor executivo do Coritiba, mas uma pessoa que vem junto com a Alvarez & Marçal. Pela experiência que tem no Flamengo, ele foi muito importante deixar a função vaga nesse período. Estamos buscando nomes para que essa função seja desempenhada e esse nome venha com a missão previamente defendida, além da convicção que é o nome correto”, disse.

“O Fred é uma pessoa sensacional, está trabalhando em todas as situações que tragam receita e tirem despesas. Aí entra no RH, financeiro, marketing e administrativo. Temos certeza que várias ações estarão implantadas até o final do ano para trazer receita ou diminuir despesa. A próxima pessoa ainda vai ser monitorado na figura do Fred e quando a Alvarez & Marçal deixar o clube, estará totalmente preparada”, complementou.

REFORÇOS PARA A SEQUÊNCIA DA SÉRIE B

Desde o início da temporada, o Coritiba contratou 19 jogadores – o meia Edson Carioca ainda não estreou –  e um deles já saiu – o meia Lucas Nathan, que teve a rescisão publicada no BID. O vice-presidente Glenn Stenger afirmou que a diretoria está em busca de reforços e promete novidades em breve.

“Nunca o elenco estará fechado. Temos algumas dificuldades em algumas posições bastante esclarecidas pela comissão técnica e gestão do futebol. Estão sendo monitorados alguns jogadores para que em curto intervalo de tempo fechar as lacunas que temos. O elenco não está completado e teremos novidades para fechar essas lacunas. O Campeonato Brasileiro é longo, tem 38 rodadas e disputamos a nona rodada apenas. Ainda temos muitas rodadas pela frente e precisamos de algumas peças para ter essa campanha sustentável. Acreditamos que teremos algumas novidades”, declarou Stenger.

GUSTAVO MORÍNIGO

O presidente Renato Follador sempre garantiu que Gustavo Morínigo seria o único técnico do Coritiba na temporada. Segundo Glenn Stenger, o treinador tem o apoio da diretoria e a intenção é não mudar de treinador até o fim do ano. “Fazemos avaliações constantes em todas as segundas. O técnico tem o nosso amparo, está desempenhando o bom trabalho e possui o respeito do grupo, principalmente os jogadores mais vividos no mundo do futebol. Temos a intenção de permanecer com o técnico até o final do ano. Existe a intenção e a realidade. Não temos nenhuma intenção que a realidade seja diferente. Gostaríamos de manter o técnico até o final do ano e chegando os resultados que é a nossa ascensão à primeira divisão que ele seja nosso comandante em 2022. Esse é o posicionamento hoje da nossa diretoria”, afirmou.

PROJETO DO FUTEBOL FEMININO

Com a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro, o Coritiba não estendeu a parceria com o Toledo para o futebol feminino, nem criou um projeto próprio. Glenn Stenger explicou que a realidade financeira do Coxa não permite o projeto em 2021, mas o garante o retorno no ano que vem em caso de acesso para a Série A.

“Futebol é dinheiro. O Coritiba perdeu cerca de R$ 80 milhões de 2020 para 2021. Nós fizemos duas inserções para que pudéssemos ter a equipe de futebol feminino do Coritiba já neste ano. Uma com antigo parceiro e outro com novo parceiro da cidade de Curitiba. Esses contatos exigem que tenhamos dinheiro. O Coritiba não tem recurso necessário para manter o futebol feminino, sendo que neste ano não é obrigatório. Nós teremos com o acesso à primeira divisão a obrigatoriedade de montar o time de futebol feminino para 2022. Para isso, nós já temos alianças sendo montadas. Para 2021, não haverá solução até pelos custos da manutenção do futebol feminino, que não cabe no planejamento para o ano. Não há dinheiro para o futebol feminino neste ano. No ano que vem, sim. Com a volta para a primeira divisão, nós teremos o futebol feminino no clube”, falou o dirigente.

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