Huçulak critica Bolsonaro por “patrocinar” tratamento precoce contra covid-19

Redação

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A secretária da Saúde de Curitiba Márcia Huçulak criticou a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sem citá-lo diretamente, na defesa do tratamento precoce contra a covid-19. Ao anunciar a prorrogação do decreto da bandeira vermelha, a secretária ressaltou que não há nenhum remédio com eficácia comprovada cientificamente para a doença.

“Criou-se essa fantasia, muito patrocinada, e todo mundo sabe disso, pelo maior dirigente desse país, sem nenhum embasamento científico. As pessoas se apegaram em uma pílula milagrosa que vai salvar o mundo. Que bom se fosse, a gente amaria. Não somos genocidas como eu sou acusada constantemente em mensagens e ameaças. Nós estudamos”, disse ela.

Nesta semana, um grupo de médicos espalhou outdoors por 10 bairros de Curitiba para divulgar o tratamento do coronavírus com o uso de cloroquina, invermectina e outros medicamentos. A prefeitura reagiu e solicitou a retirada dos painéis. A estratégia é alinhada com o governo federal, que estimula o uso do “kit covid”,

Huçulak apontou que sofre pressão para que medicamentos como a cloroquina e ivermectiva sejam usados por parte da prefeitura. No entanto, ela ressaltou que não há possibilidade disso acontecer

“Não tem o menor cabimento, a menor evidência, e pautamos nosso Comitê pela ciência. Lamento que as pessoas usem isso para dizer que lockdown, máscara e distanciamento não funciona. Não há droga no mundo que possa dar conta disso”.

Por fim, a secretária municipal da Saúde, os médicos relatam diariamente que diversos pacientes com covid-19 não querem a intubação sob a alegação que tomaram cloroquina.

“A gente questiona, se não tivesse tomado, se o desfecho poderia ser diferente”, completou Huçulak.

CURITIBA TEM TAXA DE OCUPAÇÃO DAS UTIs EM 101% 

Curitiba completou uma semana com lotação máxima nas 513 UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) da rede pública. Isso significa que há mais pacientes do que leitos existentes.

As enfermarias (leitos clínicos) também estão lotadas, com ocupação de 99% dos 874 leitos existentes. Restam apenas 10 leitos livres.

Vale lembrar que as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) foram transformadas em centros de atendimentos para casos graves da covid.

Em meio ao caos, a prefeitura agiu e decretou bandeira vermelha, em uma espécie de ‘lockdown moderado’, para evitar o colapso total do sistema de Saúde. O prefeito Rafael Greca (DEM) teve apoio do governador Ratinho Junior (PSD), que decretou que os municípios da Região Metropolitana também aderissem as normas.

No acumulado, Curitiba totaliza 169.464 casos confirmados e 3.691 óbitos.

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